
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Mudança, necessidade de renovação

domingo, 7 de setembro de 2008
Ao meu amor

(E se não for urgente a questão!?!)
Não te amo apenas pelas qualidades esperadas, amo-te também pelas peculiaridades de tuas idiossincrasias. Meu amor não tem uma explicação exata, é indefinível...e surgiu assim meio que do nada, ocupando o tudo da minha alma. É divino e ao mesmo tempo infernal, quando num dado momento mergulha-me num mar de solidão e depressão para logo em seguida submergir-me surfando numa onda de euforia. Faz-me amar e sentir a vida como ela é, mas me deixa nas nuvens de um sonho do que ela pode ser.
Meu amor tem pura empatia e magnetismo pelo teu ser, pelo teu mistério, pela paz e harmonia que emanam da tua aura. É verdadeiro, vivo, sublime...mas renova-se a cada dia, porque sinto não te amar como ontem e amanhã sei que não te amarei como hoje, apenas sua essência se faz presente. O tempo passa e a tudo transforma; o mundo gira e leva a gente também, mas esse amor não morre, é intenso...
E tão frágil, mas ao mesmo tempo sua força tira-me da cama com plena febre de alegria; certo é que nalguns dias me desperta para chorar, mas noutros me torna feliz, e nem sei exatamente o porquê...; o dia fica mais lindo, o verde mais verde, o azul mais azul, o canto dos pássaros mais harmônico e o sol que bate na janela brilha em plenitude...; levanto com alto astral, sinto-me linda na roupa de sempre, o trânsito não me irrita, porque as pessoas são boas, só estão atrasadas...E nessa paz de espírito, sigo vivendo a vida como ela é, bela, em seu milagre de ser.
Amo a força que revelam teus gestos e passos ligeiros de quem não tem tempo a perder; o raciocínio rápido e perceptivo do mundo que te cerca, a facilidade que tens de transcrever de forma poética aquilo que vês e sentes e a sensibilidade que expressas daquilo que observas...em todos teus dons que em si revelam. E afinal quantos há de ti? Já conheço alguns, mas esse é novo, mas como você mesmo diz, o de hoje. Mas amo as tuas variedades, o teu sentir de cada momento. Parece que sofres!..Não, espera! amanha será diferente, e se faz diferença, lembre-se que eu te amarei sempre, mesmo que não tenhas nada para me oferecer. Meu amor é gratuito, não precisas retribuir, nem cobres nada de ti mesmo. Apenas deixe-me viver assim como estou vivendo, porque é melhor do que nada sentir, e tudo parecer tão cinzento. Saiba que ele me dá o que mais preciso no momento, vontade de seguir em frente sabendo que ainda posso amar e que não sou uma morta viva.
Se meu amor é assim tão indefinível é porque ele é complexo e não uma equação de primeiro grau. Ele possui várias incógnitas em cujo plano se projeta tridimensionalmente, variando em torno de eixos, que se transformam numa derivada que tende sempre ao infinito. Às vezes tento calculá-lo, para enfim defini-lo, mas nunca chego a uma resposta exata, então é melhor deixar que meus companheiros filósofos fantasmas me dêem números aproximados.
Então amo-te "... justamente pelo que o Amor tem de indefinível." Arnaldo Jabor
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
A morte do meu bonsai

Era um boungaville rosa, ou primavera, como tantos conhecem.
Já vinha definhando a algum tempo. Fiz várias tentativas, mas era tarde demais. Hoje constatei que não conseguiria mais reverter seu pobre destino.
Me perdoe! Acho que agora está finalmente livre!
Carta às próximas gerações da humanidade, Deus queira mais conscientes!
Há 22 anos nasci, me colocaram num vasinho, onde eu me sentia por vezes até protegido. Mas nasci para ser grande, então, pensei, depois me tiram desse bercinho e me colocam no jardim, onde poderei crescer e produzir muitas flores.
Lembro que crescia muito feliz, pois um japonês cuidava muito bem de mim, até o momento em que minhas raízes atingiram as paredes desse vasinho. Não me tirou dali como esperava. Pelo contrário, parecia não saber que precisava de mais espaço, embora continuasse com os cuidados de sempre.
Não tive escolha, tive que desviar as raízes para o lado, afinal precisava continuar crescendo, cumprindo o que a natureza tinha estabelecido para minha espécie.
Já sem espaço para crescer e depois de um tempo, finalmente fui retirado desse vasinho e colocado num maior, só um pouco maior, na verdade. Estranhamente cortaram parte das minhas raízes, e também podaram os meus pequeninos galhos. Mas mesmo diante de tanta agressão, fui resistindo. Todos os anos era assim, me tiravam do vaso e podavam minhas raízes e meus galhos, estes já contorcidos com arames, que chamam de educação.
Assim vinha passando todos os anos da minha vida, querendo ser grande, mas tendo que me resignar em ser pequenino, constrito em uma condição de mero objeto humano.
Um dia, quando estava todo florido, aquele japonês me levou para a loja, onde era visto por todos. Passavam, perguntavam o preço, uns íam embora, mas sempre olhavam para trás, outros diziam que voltariam, mas não voltavam. Até que chegou uma moça, toda serelepe, que ficou fascinada por mim...Estranhou o preço, mas quando o japonês falou a minha idade, ela pareceu ter entendido, então me comprou e me levou para sua casa. Parecia muito feliz!
Passei também algum tempo feliz na sua casa. Ela me colocou num lugar bastante especial de sua varanda onde eu pegava todos os dias os primeiros raios de sol. Todos os dias também ela vinha me ver e três vezes na semana colocava água, e filtrada.
Apesar do espaço minúsculo onde me obrigaram a viver, eu ía seguindo a vida. Às vezes, sentia seu olhar sobre mim, parecia muito pensativa, talvez achando a minha situação um tanto quanto absurda. Talvez sentisse pena de mim e aposto que pensou muitas vezes em me libertar, levar-me para um desses canteiros lá fora e me plantar num lugar bem legal onde eu pudesse crescer livre como minha mãe.
Quatro ou cinco anos se passaram, mas foi no último ano que as coisas ficaram realmente difíceis, ela foi cada vez mais deixando de cuidar de mim. Parecia sempre tão ocupada, mas eu não precisava tanto assim do seu tempo! Às vezes, vinha até a varanda e me olhava, e percebia que tinha se lembrado de mim. Então parecia que ía buscar água e às vezes, para meu alívio, voltava, mas outras vezes não, saía pela porta apressada, e o silêncio que ficava sempre denunciava que mais uma vez tinha me esquecido.
Nos útimos tempos, piorou, as regas foram ficando cada vez mais escassas, e eu que não estava mais conseguindo suportar, fui ficando cada vez mais fraco...Ela tentou me salvar, mas eu, não mais resistindo, morri...
Deus pediu para um anjo que me plantasse num jardim aqui no céu, e assim finalmente poderei crescer livre.
ESPERO QUE ELA NÃO QUEIRA MAIS TER BONSAIS, POIS NÃO PRECISAMOS DE ALGUÉM QUE TORNE NOSSAS VIDAS MAIS DIFÍCEIS DO QUE JÁ SÃO.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Para o meu Tielo

e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que em pelo menos num deles
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
desejo ainda que você tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos, e que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco,
porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem, não amadureça depressa demais e sendo maduro,
não insista em rejuvenescer, e que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo também, que você plante uma semente por mais minúscula que seja,
e que acompanhe o seu crescimento para que você saiba de quantas muitas vidas
é feita uma árvore.
Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher,
e que sendo uma mulher, tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,
e que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a desejar.
Victor Hugo
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Sapatinhos rosas

Mamãe era costureira e ajudava papai nas despesas da casa. Sempre que sobravam retalhos de tecidos, eu os usava para fazer os vestidinhos das minhas bonecas. Hoje, lembrando, não eram assim tão bonitos, mas mamãe gostava e mostrava sempre para as visitas. Não que ela quisesse que eu me tornasse uma costureira quando crescesse, mas acho que, como qualquer mãe ou pai, conseguia ver em mim algum talento para a coisa. Ainda me pergunto se tenho de fato tal dom. Mas não importa! Eu gosto do que os outros fazem, na verdade, só de alguns.
Muitas começaram assim, e hoje já possuem um pequeno império. Um exemplo aqui em Brasília é a dona da Ortiga, com uma clientela fixa e disposta a pagar o preço agregado das boas marcas que vende. Hoje, ela também possui uma linha que leva o próprio nome da loja.
