domingo, 7 de dezembro de 2008

"...é que as vezes acho que não sou o melhor prá você..."


Diacho!!! Acho que vai continuar tudo como era antes no quartel de abrantes, igualzinho, como sempre foi. Tinha dito para algumas pessoas, não importa quem, que este ano (2009, é claro, 2008 já se foi e nada!) seria mais bandida!...
Ontem na festa de confraternização da nossa associação, enquanto cantava junto com a banda contratada (Terminal Zero) a música do NXzero, lembrei-me da tal promessa...
E aí, dona sonhadora, como é mesmo essa de "vai ser mais bandida"? O que afinal significa isso? Tá sempre fazendo mil planos.... E os resultados?? Tá estranhando o quê? Essa dissociação é necessária sim, porque muitas vezes a gente tem de sair daí e ficar te olhando assim de longe, às vezes até bem de longe, só prá poder enxergar melhor, te entender melhor.. Criatura estranha! Quem é você, afinal? Por que nunca cumpre as metas que estabelecemos para vc? Por que tá sempre aquém das nossas expectativas passadas, presentes e futuras? Por que é tão lenta?
Lembra que um dia pensou em comprar uma máquina de filmar e colocá-la em um ponto específico da sua casa e ficar se filmando, só para ver se enxergava alguém que de fato parecia não conhecer, numa tentativa, quem sabe, de que isso pudesse ajudá-la a se achar?
Pois é, devia ter feito isso, sim. Por mais estranho que isso pareça!!!
Então, tá bom, baixemos as críticas! Resolveu, ou melhor, criou coragem de mudar de emprego? Um pontinho prá vc! Mas já tava se sentindo culpada, né ?...Não seja dissimulada...Nós percebemos... Olhe, não se deixe intimidar! Algumas pessoas querem que vc se sinta assim mesmo, bem mal, culpada por estar tentando melhorar um pouco a sua vida, e deixando-os para trás...Continue, coloque-se sempre em primeiro lugar, porque é o que todo mundo faz. Boa menina e bela resposta para a pergunta mais injusta que já ouviu nos últimos dias. Não aceite, já deu sua contribuição (13 anos!), realizando sempre aqueles servicinhos que ninguém queria fazer, ganhando menos do que quem não faz ou faz quase nada. Parabéns por ter agüentado tanto tempo, acho que isso só te fortalece, e como Nietzsche pensava, deveria fugir desse foco estabelecido de subserveniência que eles criaram e queriam manter indefinidamente para vc! Danem-se... Se se preocupar em não deixar ninguém mal, se colocar o serviço como prioridade, porque afinal, ninguém quer fazê-lo, ninguém quer ir para o seu lugar, fazer o que vc faz, vc nunca sairá de lá, nunca trará nada melhor prá você, ou ao menos diferente que te coloque de novo num caminho de melhoramento ou crescimento. Óleo na ferrugem, vc tem muita coisa para realizar ainda...
(...)
Tava lá, na festinha, pensando o tempo todo nele... Como poderei ficar sem vê-lo? Sem ouvir aquela voz, que muitas vezes nem era dirigida a mim, mas que penetrava meus sentidos como uma carícia?... É, por esse lado, é horrível ter de me afastar, mas se ficasse perto, o que poderia acontecer, esperar?... A sensação de engessamento continuaria? E o medo de levar um fora? E olha que esse seria o maior fora da minha vida, afinal o cara é tão especial que parece que eu o criei conforme os desejos e aspirações de uma alma prá lá de sedenta.... Em função disso, dificilmente me interessarei por outra pessoa.. Até porque ele é nada ordinário, é tão único! Comecei a perceber isso desde a primeira vez que falei com ele.
Vou lembrar sempre dele, meu último e grande, acho que verdadeiro amor. Quantos ainda poderia encontrar, aos quais pudesse sentir tanto encantamento e admiração?... Acho que ser otimista quanto a isso seria muita ingenuidade, e na verdade, estaria sendo bandida comigo mesma, me destruindo com o desgaste que essa procura quase vã traria, e o resultado, meu Deus, qual seria?
Mas enfim, como ser bandida em 2009, se cá estou já completamente engessada pelo medo do vazio. Afinal, não sou mais uma mocinha sonhadora, romântica e ingênua.
(pause)
Encontrei o sofá para minha sala, e uma orbital para o meu pequeno jardim. Maravilhosos!! Mas não posso comprá-los ainda, pois precisarei de uma boa grana, porque são caríssimos. Mas tá lá nos meus planos para 2009. Pelo menos isso tá garantido. Se Deus me mantiver viva é claro!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Que lindo O Quebra Nozes! E aqui, em Brasília!


Nessa última sexta-feira, tive o grande privilégio de assistir a apresentação do clássico O Quebra Nozes da Moscow City Ballet, companhia que detém reconhecimento internacional pela sua perfeição técnica.
Fundada em 1988 por Victor Smirnov-Golovanov, coreógrafo e ex-primeiro bailarino do Ballet Bolshoi, é, atualmente, uma das mais respeitadas companhias de dança da Rússia.
E desde o final de outubro está no Brasil, apresentando quatro balés de repertórios completos, escolhidos entre os principais clássicos da dança: O Quebra Nozes, O Lago dos Cisnes, Romeu e Julieta e Cinderela.
Para Brasília, escolheram apresentar O Quebra Nozes, nos dias 21 e 22.
Contando com mais de cinqüenta bailarinos, a companhia é integrada por jovens formados nas melhores academias de dança e escolas da Rússia e da Ucrânia, aí incluídas as de Moscou, São Petersburgo, Perm, Kiev, etc.

O Quebra Nozes
Música: Tchaikovsky
Coreografia: Marius Petipa e Lev Ivanov
Um dos mais famosos balés de repertório, com várias produções, este balé se tornou um dos mais lembrados para a época do natal.
A história se passa na Europa Oriental, durante o século XIX. Um médico e prefeito da cidade realiza um Natal para sua família e amigos. Seus dois filhos, Clara e Fritz, esperam ansiosos por seus convidados. A neve traz uma atmosfera festiva enquanto os convidados chegam. Atrasado, como sempre, chega o padrinho de Clara, que diverte a todos os convidados com suas mágicas.
Todas as crianças recebem presentes. Clara pergunta a seu padrinho por seu presente. Ele brinca com ela e depois a oferece um presente bem diferente, um boneco quebra-nozes. Encantada, Clara logo se fascina pelo brinquedo. Seu irmão rouba seu presente e o quebra, deixando Clara desapontada. O padrinho conserta o pobre quebra-nozes e promete que tudo ficará bem.
A noite chega e os convidados começam a deixar a casa. Clara vai para a cama, mas acorda de repente no meio da noite e vê seu querido quebra-nozes tomar vida. Surgem ratos malvados de todos os lados! Eles estão sendo comandados pelo Rei dos Ratos, que corajosamente é derrotado pelo quebra-nozes. De lá eles são transportados para uma terra de magia, numa embarcação especial. O quebra-nozes então se transforma num encantador príncipe.
Eles atravessam uma terra encantada onde encontram os dançantes flocos de neve. Avisada pelos anjinhos, a Fada Açucarada fica sabendo que o príncipe e sua acompanhante chegam, e assim convoca todo o povo de seu Reino dos Doces. Ao chegar, o príncipe conta suas aventuras como quebra-nozes, e em seguida os dois são deliciados com as mais gostosas guloseimas, com todos os personagens do reino dos doces dançando para eles.
Clara começa a se sentir sonolenta até adormecer de novo. Na manhã seguinte, quando seus pais acordam, encontram Clara dormindo embaixo da árvore, abraçada ao quebra-nozes. Quando acorda, sabe que seu presente de Natal foi uma linda viagem, em forma de sonho, e que sonho!!!
(com algumas interpretações bastante peculiares pela Companhia, mas que acompanharam perfeitamente a trama original)

(...)
Tinha decidido não comentar, mas aí vai... o público daqui, certo que não em sua totalidade, não responde de forma adequada a esse tipo de espetáculo. Até perdoaria se não existisse nos dias de hoje a rede mundial de computadores, onde se pode ter ao menos noções sobre qualquer assunto, e, considerando o preço do ingresso, com certeza, todas aquelas pessoas possuem de uma forma ou de outra acesso à internet. Então, se não conheciam a história, poderiam ao menos terem a curiosidade e pesquisar, e não ficarem assim, digamos, tão perdidos...Além de ser, é claro, muito mais interessante entender aquilo que o(s) balairino(s) querem expressar com seus movimentos. Essas pessoas têm dinheiro, mas, infelizmente, são aculturadas, e porque simplesmente não se interessam em aprender. ...
E assim tivemos alguns aplausos fora de hora, o que poderia desconcentrar os artistas, saída entre um ato e outro, por pensarem que acabara a apresentação, e o pior, eu acho, na ânsia de sairem antes de todo mundo, deram as costas aos bailarinos, antes que as cortinas se fechassem e estes recebessem os merecidos aplausos, para enfim saírem de cena. Estes que saíram antes dos demais, subiram a rampa lateral de entrada da Villa-Lobos e ficaram alí "entalados", de cara pra porta fechada, não sabendo que a saída era ao lado, e que se abre em seu devido momento.
Bem feito!!!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Um pouquinho de verde esperança...


Estou procurando a trepadeira Sapatinho-de-Judia para plantar na minha varanda.
Já fui em várias floriculturas de Brasília, mas não consegui encontrá-la. Muitos conhecem a planta, mas não a vendem nos estabelecimentos. Pesquisei os cuidados que a mesma exige e com certeza, lá, ficaria um charme!
Infelizmente, se não conseguir encontrá-la vou ter que plantar outro arbusto, e o mais provável será um boungaville, ou primavera, para muitos. Muito lindo também!...
Ultimamente estou vivendo uma vida bastante light e despreocupada, apesar de alguns probleminhas pendentes esperando pela devida solução. Mas...
E preciso voltar a estudar (isso às vezes me tira o sono!) , mas vou deixar para o ano que vem, depois das férias.
Estava fazendo uma pós, mas como papai adoesceu, tive que ficar com ele no hospital e acabei perdendo muitas aulas. Além disso, não conseguia me concentrar, e assim, depois de muito pesar, optei por desistir.
Até o momento só organizei parte do material necessário para o estudo do concurso que farei daqui a três anos, mas o importante, acho, é que sei exatamente o que quero e isso já me ajuda muito. Sempre fui boa concurseira, e consigo estudar o dia todo, se precisar...
Apesar da vida tranqüila, não estou me sentindo muito feliz. A sensação é de que existe um enorme vazio dentro de mim. Já comprei passagem para as comemorações de final de ano, pois não gosto de ficar em Brasília, no reveillon, mas espero ficar mais animada, quando chegar o momento.
Além disso, estou testando umas receitinhas novas...
Levando uma vida de dona de casa... , mas que, como já disse prá mamãe, sem futuro...
Que venha, então, 2009!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Chutando o balde!


Outro dia, enquanto voltava pra casa, comecei a ponderar os prós e contras de se viver sozinha...(sem conclusões!)
Estava no
...As mulheres têm uma certa facilidade prá se acostumar em estar só, a gente não depende tanto dos homens como eles precisam de nós... Na verdade, muitas vezes, eles são só mais um fardo para se carregar na vida - conheço um tantão assim de mulheres, esposas e mães, que levam a vida carregando nas costas esses zé-manés - e Deus me livre desses!
quando...
Parei num posto da Estrutural e encontrei abastecendo uma viatura um rapaz bem jovem da PM. Era bem bonitinho! E parece ter se sentido atraído por mim, porque ficava me secando o tempo todo.
Cumprimentei-o de forma simpática e segui minha viagem. Nem lembrava mais o que tinha pensado antes de chegar ao posto e fiquei imaginando como seria namorar um cara assim tão jovem, o que os familiares, meus e os dele, amigos ou só conhecidos diriam... (Mas quer saber, foda-se todo mundo!).
Já meio que revoltada, segui em direção a minha casa, com vontade de chutar o balde. A grande culpada sou eu mesma por estar sozinha. Tá certo que não quero um mala, prá esse estou sempre fechada prá balanço. Mas, graças a Deus, os homens não são todos iguais. Mas precisava ser mais ativa, procurar mesmo e não ficar esperando que caia do céu.
Medo de levar um fora? Já nem tenho, porque depende da forma como você encara o conhecer o outro. Se vc se aproxima apenas com a intenção de edificar laços de amizade, tanto melhor, afinal dá tempo de conhecer a pessoa, e saber se não é um sapo disfarçado. A recíproca é a mesma: não posso ficar na ilusão de que agradaria a todos. Sei que existem homens que não se sentem atraídos por mulheres como eu, diferente das que dizem fazer e acontecer, que usam tatuagem, e badulaques pendurados, tentando parecer algo que elas pensam que são, mas basta vc conversar e/ou conviver um pouco para ver a fachada caindo. Têm também as ciumentas, as barraqueiras, as passionais, enfim, existem mulheres para todos os gostos!
Lembro quando eu e meus irmãos éramos adolescentes e às vezes a gente querer seguir alguma onda, mas mamãe sempre muito atenta, cortava o barato rapidinho. Hoje eu entendo qual era a dela, queria que fossemos nós mesmos, que buscássemos dentro de uma "normalidade" coerente nossa tão preciosa individualidade.
Enquanto chegava em casa e estacionava o carro tomei uma decisão: vou sair mais e conhecer um bocado de gente, parar de ficar sonhando com alguém que não tá nem aí prá mim...
Na verdade, sempre soube que ele era muita areia para o meu caminhãozinho mesmo. É cair na real!
Eu e a minha mania de grandeza!
Tivesse sido mais prática na vida, não estaria sozinha, nessa idade.
Porque ruim com eles, pior sem eles...
E olha só a pérola que encontrei na Bíblia,
“Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (I Coríntios 7:5).
(sem comentários!)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mudança, necessidade de renovação


Estou mudando para minha nova casa. Dá uma trabalheira!... Ufa! Não basta chamar a transportadora, colocar todos as coisas no caminhão, desembarcar..., o mais complicado é o antes - talvez o pior - e o depois, para organizar tudo. As gavetas estão abarrotadas de papéis, sem nenhuma organização - um caos - e cuja guarda parece não ter o menor sentido.... Revistas velhas, apostilas de diversas matérias, e até provas..., cupons de supermercado...., vou jogar tudo no lixo.
Têm também roupas que mesmo sem querer fui deixando de usar, e essas colocarei tudo num saco e depois pensarei nisso...O problema é que precisam ser lavadas antes, porque ficaram com um cheiro estranho que eu não entendo, afinal quando foram guardadas estavam limpas....
Tem também os meus bebês, que parecem estar um pouco estressados com a mudança de rotina. Não fazem idéia do que ainda está por vir, mas tenho certeza que no final eles vão gostar da nova casa. Vão poder sentir a energia da terra, coisa praticamente impossível quando se mora em apartamento e, coitados, quando saem para o veterinário, é sempre dentro da caixa.
Enquando vou preparando tudo, também já vou levando algumas coisas no carro mesmo, como meus livros, alguns objetos que podem quebrar, e principalmente as minhas telas, que são únicas, e que se rasgarem o tecido, nem sei o que poderia ser feito para restaurá-las. Três delas arrematadas em leilão e as outras compradas em galerias mesmo, e que possuem um valor emocional e material bastante considerável e que justifica um tratamento diferenciado, qual seja, ficarem longe da piãozada que não está nem aí prá essas coisas...
O mais complicado mesmo tem sido o fator tempo. Apesar de estar numas "férias forçadas", uma semana é demasiado curta para fazer tudo, ainda mais que preciso revesar com o meu irmão a companhia de papai que está internado sob observação. Ele passou mal no domingo, teve uma pequena hemorragia em função da perfuração de uma úlcera que a gente nem sabia existir - ele nunca tinha reclamado de dor - e que segundo os médicos ocorreu devido ao uso do AS (ácido acetilsalicílico) nos últimos quatro meses. Graças a Deus ele está bem, se recuperando rápido, e agora vai se alimentar melhor depois do susto que passou (foi um mal necessário, porque ele é muito teimoso!). Apesar de tudo, ele é bastante animado e isso ajuda na sua recuperação... e é bom cuidar de papai, porque está sempre feliz, de bom humor....Um exemplo de vida e superação de dificuldades!
(um beijo pra quem não esqueci!)

domingo, 7 de setembro de 2008

Ao meu amor



(E se não for urgente a questão!?!)

Não te amo apenas pelas qualidades esperadas, amo-te também pelas peculiaridades de tuas idiossincrasias. Meu amor não tem uma explicação exata, é indefinível...e surgiu assim meio que do nada, ocupando o tudo da minha alma. É divino e ao mesmo tempo infernal, quando num dado momento mergulha-me num mar de solidão e depressão para logo em seguida submergir-me surfando numa onda de euforia. Faz-me amar e sentir a vida como ela é, mas me deixa nas nuvens de um sonho do que ela pode ser.

Meu amor tem pura empatia e magnetismo pelo teu ser, pelo teu mistério, pela paz e harmonia que emanam da tua aura. É verdadeiro, vivo, sublime...mas renova-se a cada dia, porque sinto não te amar como ontem e amanhã sei que não te amarei como hoje, apenas sua essência se faz presente. O tempo passa e a tudo transforma; o mundo gira e leva a gente também, mas esse amor não morre, é intenso...

E tão frágil, mas ao mesmo tempo sua força tira-me da cama com plena febre de alegria; certo é que nalguns dias me desperta para chorar, mas noutros me torna feliz, e nem sei exatamente o porquê...; o dia fica mais lindo, o verde mais verde, o azul mais azul, o canto dos pássaros mais harmônico e o sol que bate na janela brilha em plenitude...; levanto com alto astral, sinto-me linda na roupa de sempre, o trânsito não me irrita, porque as pessoas são boas, só estão atrasadas...E nessa paz de espírito, sigo vivendo a vida como ela é, bela, em seu milagre de ser.

Amo a força que revelam teus gestos e passos ligeiros de quem não tem tempo a perder; o raciocínio rápido e perceptivo do mundo que te cerca, a facilidade que tens de transcrever de forma poética aquilo que vês e sentes e a sensibilidade que expressas daquilo que observas...em todos teus dons que em si revelam. E afinal quantos há de ti? Já conheço alguns, mas esse é novo, mas como você mesmo diz, o de hoje. Mas amo as tuas variedades, o teu sentir de cada momento. Parece que sofres!..Não, espera! amanha será diferente, e se faz diferença, lembre-se que eu te amarei sempre, mesmo que não tenhas nada para me oferecer. Meu amor é gratuito, não precisas retribuir, nem cobres nada de ti mesmo. Apenas deixe-me viver assim como estou vivendo, porque é melhor do que nada sentir, e tudo parecer tão cinzento. Saiba que ele me dá o que mais preciso no momento, vontade de seguir em frente sabendo que ainda posso amar e que não sou uma morta viva.

Se meu amor é assim tão indefinível é porque ele é complexo e não uma equação de primeiro grau. Ele possui várias incógnitas em cujo plano se projeta tridimensionalmente, variando em torno de eixos, que se transformam numa derivada que tende sempre ao infinito. Às vezes tento calculá-lo, para enfim defini-lo, mas nunca chego a uma resposta exata, então é melhor deixar que meus companheiros filósofos fantasmas me dêem números aproximados.

Então amo-te "... justamente pelo que o Amor tem de indefinível." Arnaldo Jabor

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A morte do meu bonsai


Deus, matei meu bonsai, um bonsai de 22 ANOS!
Era um boungaville rosa, ou primavera, como tantos conhecem.
Já vinha definhando a algum tempo. Fiz várias tentativas, mas era tarde demais. Hoje constatei que não conseguiria mais reverter seu pobre destino.
Me perdoe! Acho que agora está finalmente livre!

Carta às próximas gerações da humanidade, Deus queira mais conscientes!
Remetente: Bonsai Boungaville Rosa
Endereço: Jardim do Céu

Há 22 anos nasci, me colocaram num vasinho, onde eu me sentia por vezes até protegido. Mas nasci para ser grande, então, pensei, depois me tiram desse bercinho e me colocam no jardim, onde poderei crescer e produzir muitas flores.
Lembro que crescia muito feliz, pois um japonês cuidava muito bem de mim, até o momento em que minhas raízes atingiram as paredes desse vasinho. Não me tirou dali como esperava. Pelo contrário, parecia não saber que precisava de mais espaço, embora continuasse com os cuidados de sempre.
Não tive escolha, tive que desviar as raízes para o lado, afinal precisava continuar crescendo, cumprindo o que a natureza tinha estabelecido para minha espécie.
Já sem espaço para crescer e depois de um tempo, finalmente fui retirado desse vasinho e colocado num maior, só um pouco maior, na verdade. Estranhamente cortaram parte das minhas raízes, e também podaram os meus pequeninos galhos. Mas mesmo diante de tanta agressão, fui resistindo. Todos os anos era assim, me tiravam do vaso e podavam minhas raízes e meus galhos, estes já contorcidos com arames, que chamam de educação.
Assim vinha passando todos os anos da minha vida, querendo ser grande, mas tendo que me resignar em ser pequenino, constrito em uma condição de mero objeto humano.
E apesar de pequenino, sem dignidade num espaço tão ínfimo, me sentia, por vezes, muito orgulhoso quando chegavam a primavera e o outono, porque me enchia de flores. Vejam só, tinha mais flores até do que folhas.
Um dia, quando estava todo florido, aquele japonês me levou para a loja, onde era visto por todos. Passavam, perguntavam o preço, uns íam embora, mas sempre olhavam para trás, outros diziam que voltariam, mas não voltavam. Até que chegou uma moça, toda serelepe, que ficou fascinada por mim...Estranhou o preço, mas quando o japonês falou a minha idade, ela pareceu ter entendido, então me comprou e me levou para sua casa. Parecia muito feliz!
Passei também algum tempo feliz na sua casa. Ela me colocou num lugar bastante especial de sua varanda onde eu pegava todos os dias os primeiros raios de sol. Todos os dias também ela vinha me ver e três vezes na semana colocava água, e filtrada.
Apesar do espaço minúsculo onde me obrigaram a viver, eu ía seguindo a vida. Às vezes, sentia seu olhar sobre mim, parecia muito pensativa, talvez achando a minha situação um tanto quanto absurda. Talvez sentisse pena de mim e aposto que pensou muitas vezes em me libertar, levar-me para um desses canteiros lá fora e me plantar num lugar bem legal onde eu pudesse crescer livre como minha mãe.
Quatro ou cinco anos se passaram, mas foi no último ano que as coisas ficaram realmente difíceis, ela foi cada vez mais deixando de cuidar de mim. Parecia sempre tão ocupada, mas eu não precisava tanto assim do seu tempo! Às vezes, vinha até a varanda e me olhava, e percebia que tinha se lembrado de mim. Então parecia que ía buscar água e às vezes, para meu alívio, voltava, mas outras vezes não, saía pela porta apressada, e o silêncio que ficava sempre denunciava que mais uma vez tinha me esquecido.
Nos útimos tempos, piorou, as regas foram ficando cada vez mais escassas, e eu que não estava mais conseguindo suportar, fui ficando cada vez mais fraco...Ela tentou me salvar, mas eu, não mais resistindo, morri...
Deus pediu para um anjo que me plantasse num jardim aqui no céu, e assim finalmente poderei crescer livre.
ESPERO QUE ELA NÃO QUEIRA MAIS TER BONSAIS, POIS NÃO PRECISAMOS DE ALGUÉM QUE TORNE NOSSAS VIDAS MAIS DIFÍCEIS DO QUE JÁ SÃO.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Para o meu Tielo


Antes de tudo, Adoro você!

Desejo primeiro, que você ame,
e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que em pelo menos num deles
você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
desejo ainda que você tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos, e que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo ainda que você seja tolerante; não com os que erram pouco,
porque isso é fácil, mas com os que erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você sendo jovem, não amadureça depressa demais e sendo maduro,
não insista em rejuvenescer, e que sendo velho não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo também, que você plante uma semente por mais minúscula que seja,
e que acompanhe o seu crescimento para que você saiba de quantas muitas vidas
é feita uma árvore.

Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher,
e que sendo uma mulher, tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,
e que quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho mais nada a desejar.

Victor Hugo

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sapatinhos rosas


Era assim que as meninas da minha época se resignavam com os sapatinhos cor-de-rosa e aprendiam a gostar de se arrumar e querer ficar bonitas...brincavam com bonecas, e eu particularmente adorava as de papel. Nas bancas de jornais tínhamos várias opções, cada uma mais linda que a outra e com os mais diversos tipos de trajes como ilustrações. A gente cortava na linha que delimitava o desenho e daí ía vestindo-a com as opções. Era gostoso montar, ou melhor, compor cada visual. Dava até para criar os próprios modelitos, desenhando e pintando com lápis de cor. Lembro que a minha amiguinha de infância, a Meire, também desenhava seus próprios modelitos e a gente saía perguntando pra todo mundo qual boneca tinha ficado mais bonita.
Mamãe era costureira e ajudava papai nas despesas da casa. Sempre que sobravam retalhos de tecidos, eu os usava para fazer os vestidinhos das minhas bonecas. Hoje, lembrando, não eram assim tão bonitos, mas mamãe gostava e mostrava sempre para as visitas. Não que ela quisesse que eu me tornasse uma costureira quando crescesse, mas acho que, como qualquer mãe ou pai, conseguia ver em mim algum talento para a coisa. Ainda me pergunto se tenho de fato tal dom. Mas não importa! Eu gosto do que os outros fazem, na verdade, só de alguns.
Acho que adoraria trabalhar com moda, mesmo que fosse só vendendo.
Muitas começaram assim, e hoje já possuem um pequeno império. Um exemplo aqui em Brasília é a dona da Ortiga, com uma clientela fixa e disposta a pagar o preço agregado das boas marcas que vende. Hoje, ela também possui uma linha que leva o próprio nome da loja.

domingo, 24 de agosto de 2008

Meu pequeno castelo

Passei o dia de domingo limpando minha nova casinha e planejando a decoração de cada espaço, em seus mínimos detalhes.
Já tinha feito algumas alterações no projeto original do tipo tirar uma parede que separaria a pequena copa da sala e transformá-la numa sala de jantar.
A sala que teria que dividir seu espaço com a sala de jantar ficou maior. A mesa (pena que não pode ser quadrada!) ficará com uma das cabeceiras encostada na parede, onde colocarei um espelho que refletirá o lustre (luminária) pendente sobre a mesa. Em cada lateral colocarei uma torre branca com vários nichos até o teto, com um ponto de luz em cada, para colocar meus cristais de murano. Ainda não escolhi a luminária, mas quero que ele acompanhe o design da mesa e das cadeiras, que são tipo poltroninhas, com estofado branco.
Adoraria trabalhar com decoração! É o maior barato! Se tivesse tido um pouco mais de obstinação, talvez tivesse realizado o sonho de infância de ser arquiteta e acho que seria uma boa profissional.
Na fachada, pedi para que deixassem um espaço na lateral do muro, perto da pequena varanda, onde eu pudesse plantar uma roseira, tipo trepadeira, ou mesmo uma primavera. A fachada vai ser verde e as paredes dos muros que circundam a casa serão brancas. Vou pendurar neles vários vasinhos também brancos com plantas e flores.
Meu pequeno castelo talvez não seja a minha última casa - ainda sonho também com a casa que dividirei com o amor da minha vida, e o prazer que terei em decorá-la...;
Mas enquanto esse momento não chega, vou curtindo aquela lá, pequena, mas muito aconchegante, clara, arejada, silenciosa, um perfeito lar, e um lugar que me acolherá todas as vezes que ret0rnar cansada, triste ou faminta. Não vejo a hora de me mudar...
..........

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Arrumando a casa



Se tem alguém que lê tudo isso que escrevo aqui nesse blog, ou só partes deles (porque deve ser cansativo!) já deve ter percebido o grande caos, a misturada doida que eu faço de assuntos. O problema é que eu sou assim mesmo. Fico o tempo todo pensando num bocado de coisas, reagindo a tudo que é estímulo, prestando atenção a tudo, por mais força que faça para ignorá-las.

Tenho insônia em 90% das minhas noites, e desde quando nem lembro, mas, graças a Deus, não me sinto cansada no dia seguinte. Parece que o pouco tempo que durmo é suficiente para descansar. Não sei como será a minha saúde a longo prazo por levar uma rotina assim, mas até o momento não vejo, com exceção da pele, é claro, nenhum resultado negativo.

Também nunca sofri por não conseguir dormir como a maioria das pessoas. Ao contrário, lembro que quando criança sofria sim, todas as noites, mas porque me forçavam a ir para a cama muito cedo. Ficava rolando na cama, e só dormia depois da canseira que dava a resistência involuntária. Depois já com mais ou menos 11 anos, ganhei um quarto só para mim. Foi ótimo, mas meus pais levantavam durante a noite e íam ver se eu estava acordada. Quase sempre conseguia ouvir os passos no corredor e apagar a luz antes que eles chegassem perto e percebessem a luz que passava pelas frestas da porta. Outras vezes colocava panos nelas e ficava à luz de velas. O que eu fazia? Lia, desenhava, folheava revistas, escrevia em diários...Não faltava o que fazer.

Antes quando não tinha esse blog, não podia registrar esse mix de pensamentos, delírios e reflexões, e por conseguinte perceber o real caos que domina minha vida. Mas agora está mais evidente, e assim surgiu a vontade de buscar meios que permitam uma maior organização de tudo, ou seja, direcionar, aos poucos, essa atividade intelectual de forma mais coerente, procurando obter, em termos práticos, algum resultado. Dei-me conta da real necessidade de colocar as rédeas em um bocado de coisas, escolhendo os melhores meios para organizá-los, direcionando-os e otimizando seus resultados.

Já tive até um resultado hoje e estou super orgulhosa por isso. No horário de almoço, saí para fazer o orçamento da bancada da minha cozinha. Fiz o orçamento com cinco marmorarias (foi o que o tempo permitiu), e percebi que o preço variava muito, na ordem de incríveis 150% entre o maior e o menor. E o mesmo granito preto, com a mesma qualidade de acabamento. Por que vejo isso como resultado? Porque antes, numa grande ilusão de estar sendo eficiente, tentaria fazer duas coisas nesse mesmo período, ou seja, iria apenas em uma ou duas marmorarias (grande chance de não pagar o melhor preço, portanto) e compraria, por exemplo, o chuveiro e/ou o cooktop, que também estão faltando. Estes, entre outras coisinhas ficarão para o sábado, com tempo para novas pesquisas.

Pode parecer óbvio para tantas pessoas, eu sei, mas para mim..., infelizmente, não era bem assim. Mas estou aprendendo...E tentarei ser cada vez mais racional e objetiva. E agora, mais do que nunca, na minha vida pessoal, o emocional em relação a quem eu penso amar tanto...(ele que não tá nem aí pra mim!), porque a vida é muito curta, e é um contra-senso parar para ver no que vai dar...

Quanto ao blog, vou criar novos, cada um com determinado assunto. E o primeiro, acho, vai ser dedicado ao paladar, à gastronomia, um dos meus principais passatempos. Serei uma eterna leiga nesse assunto, mas não me importo de estar sempre aprendendo, gosto desse processo. Na minha faculdade tem o curso de gastronomia. Sempre quando podia dispor de estudar o dia todo na biblioteca, sempre almoçava por lá mesmo. Na praça da alimentação, no horário de almoço, os alunos de gastronomia usavam a gente como cobaia. Eram divididos em dois ou três grupos e cada tinha que preparar o mesmo prato. O último foi uma moqueca. Os auxiliares dos professores distribuíam amostras em seqüência, para que pudéssemos experimentar e opinar depois numa ficha. Eu era super criteriosa, levava muito a sério, e no espaço para opinião sempre o excedia em pormenores de pontos positivos e negativos. Outro dia consegui uma cópia da apostila do curso na xerox. É impressionante a técnica para elaboração de cada prato.

Outro será só de assuntos relacionado ao Direito, até porque preciso realizar várias pesquisas que me permitam a elaboração de artigos, uma atividade imprescindível para a formação de uma pretensa profissional do Direito.

Um de comentários para os livros que estou lendo; outro para meus filmes; outro para moda (quem sabe futuramente monto uma loja de boas marcas?); outro para a filosofia, que adoro e que me ajuda a não pirar; talvez um de poesia; e manter esse mesmo, que é mais direcionado a minha vida pessoal...

Enfim, organizando a casa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

É, passou mesmo...


Credo, essa tpm demorou!
Finalmente estou me sentindo melhor! Ontem estava super zen e parecia de longe a funcionária mais feliz, paciente, educada, cheia de energia e atenciosa da minha Divisão. Voltei ao que considero meu normal.
Apesar dessa fase, em que fiquei um pouco calada e séria, algumas pessoas, como meu pai, minha mãe, meu sobrinho, o Carlinhos, o Marcelo, e alguns outros anjos parecem ter tido o poder de melhorar um pouco meu ânimo ou diminuir minha ansiedade.
Elas, cada uma do seu jeito, contribuiram para que eu voltasse ao meu eixo, ou pelo menos, permitiram que a passagem da fase fosse menos sofrida.
Agora tenho insônia, mas pelo menos não estou ansiosa. Como tenho muita coisa a fazer pela manhã, antes do trabalho, preciso acordar bem cedo e anotar tudo de forma a organizar esses afazeres durante o pouco tempo disponível. Certamente não vai dar para fazer tudo, mas pelo menos, estarei satisfeita com o que puder conseguir.
Às vezes me sinto tão frágil, mesmo que no momento esteja trânqüila. Talvez seja a solidão. Já tentei de tudo para me acostumar, mas acho que não nasci para viver sozinha. Tenho certeza que não vou conseguir viver muito tempo assim! Só tenho medo que num desses momentos de desespero, acabe me "apaixonando" por alguém que não seja o ideal para mim.
(Graças a Deus, tenho os meus pets, as criaturinhas mais doces desse mundo, e que me fazem companhia!)
Há uns dois anos atrás, com meu último namorado, travei uma luta de razão e sensibilidade com o meu próprio eu. Consegui não me apaixonar pelo cara. Em alguns momentos ele era uma boa companhia, mas estava longe de ser a pessoa ideal para mim. Contava que tinha se separado da ex por causa de uma série de acontecimentos exteriores ao relacionamento que forçaram a dissolução do seu casamento. Segundo ele tinha perdido todo o seu patrimônio, desde que sofreu um acidente de automóvel na estrada para Londrina, e que vitimou toda a sua família. A recuperação teria sido muito difícil, principalmente para ele, que tinha ficado em coma durante mais ou menos dois meses. De volta ao lar, não conseguia trabalhar. Sua pequena empresa de móveis começou a dar prejuízo e o casal foi entrando em crise. Acabou por se separarem e ela casou de novo. Ele revoltado parece nunca ter aceitado a situação. Mas estava disposto a recomeçar com outra, mas precisamente, comigo, como dizia.
Acho que não gostava dele, porque não fazia qualquer esforço para tentar me encaixar naquela sua história de recomeço. Me prometia um monte de coisas. Coisas que eu via que ele não teria condições de dar (talvez uma moça mais nova, ingênua, acreditasse em tais promessas!). Ele parecia muito cansado, e com 42 anos não conseguia arranjar um emprego fixo, vivia de bico, e parecia sempre muito preocupado com o que eu fazia ou deixava de fazer com o meu salário. Tão estranho tudo isso! Acho que acabaria tendo que sustentá-lo.
Se o amasse, talvez nem me importasse, mas não era o caso. Daí acabou, e mais uma vez me senti aliviada.
Tem um outro probleminha, aliás um problemão, depois que a gente terminou, realizei uma pesquisa, pela internet mesmo, e descobri que ele respondia a um processo de agressão contra a ex lá em Londrina. Que horror, olha só com quem eu estava me metendo!
Sem falar outro processo, o qual eu já sabia, de pensão alimentícia para o filho, que ele não pagava, e com um sorrizinho idiota na cara, me dizia que era só para irritar a ex. Por isso tinha vindo para cá, sem que ela soubesse seu paradeiro.
Por essa e outras, percebi que não era o cara para mim. E melhor terminar, lógico.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Será que passou mesmo??


Ufa! Será que a crise da TPM já passou? Enfim era ela mesmo, mais forte do que todas as que já tive. Fico pensando na porção de coisas que podem ter intensificado seus sintomas, como o meu emocional, minha insatisfação com um bocado de coisas na minha vida e até na vida das pessoas que amo. Tá certo que a gente não pode querer mudar as pessoas, mas poxa, quando a gente percebe que não precisa de muito esforço assim, que está prejudicando uma outra que a gente também ama, é barra! Me refiro ao meu irmão, cujo pouco tempo livre, que deveria estar sendo dispensado ao meu sobrinho, uma criança super especial e inteligente, usa para ficar bebendo em casa, e falar só besteira. Que exemplo! E isso é só um dos problemas...
Mas deixa prá lá! Vou pensar um pouco em mim, que afinal também não tá lá essas coisas.
Hum..., segunda-feira!... É melhor entrar logo de vez no piloto automático, deixando os probleminhas de ordem pessoal de lado, porque esses não consigo resolver mesmo, mas tentando resolver aqueles compromissozinhos inadiáveis, só para não gerarem, eu sei, o stress que fatalmente viria com a sua procrastinação.
Mulher sofre! Nessa história de expulsão do paraíso, acho que a gente acabou levando a pior, sem falar de ter que carregar a "culpa da perdição", por causa da "tentação".
Deixando o plano teológio e partindo para o biológico darwiniano cético, também aqui a gente levou a pior e se deu mal.
Mas afinal ela passou!...Que bom! Bola prá frente! Preciso trabalhar agora, meu primeiro dia de jornada dupla, cumprimento das 40 horas semanais. Ainda bem que nem dei as caras por lá na semana passada, restos das férias não tiradas, tava em plena crise, e imagina ainda ter que conviver um absurdo de tempo com aquele monte de gente fútil e chata, principalmente alguns da ala masculina da minha Divisão, que se acham sei lá o quê, talvez o "ó" do borogodó.
Mas eu tô bem, tô bem, acho...
Bom dia pra mim e para o resto da humanidade! "Porque o sol nasce prá todos..."

Meus filmes preferidos



Estou começando uma coleção de filmes europeus. Este mês já comprei dois, e acho que vai dar para assistir mais dois ainda em agosto, sempre no final de semana, sábado ou domingo, depois do cantar do galo da meia-noite. As opções são muitas no site da Livraria Cultura, e permite o parcelamento do pagamento.
Não gosto, por vários motivos, de utilizar de cópias ilegais, embora conheça uma porção de gente que ganha muito mais que eu e que não consegue se abster desse péssimo hábito.
Então prefiro pagar o que chamam de "preço justo", e contribuir/retribuir pelo trabalho dessas pessoas que vivem e trabalham para proporcionar um pouco de lazer e cultura (sentido strito) para a gente. Bem, quatro por mês penso que dá para pagar, sem estourar o orçamento, um tanto quanto já apertado. E vale a pena porque sempre gostei desses filmes; as produções hollywoodianas quase sempre me cansam naqueles emblemáticos super-heróis.
Bem, não são só os filmes europeus, não posso ser injusta com os outros, entre eles o brasileiro...Na verdade, gosto de vários, como, por exempo, o Crime do Padre Amaro, do português Eça de Queiroz, e produzido, filmado acho que no México.
Na verdade, ultimamente, mas precisamente nos últimos 10 ou 15 anos, venho gostando cada vez menos de norte-americanos, e de muitas coisas que eles fazem. Não sinto a menor vontade de ir para os EUA, e não ficaria nem um pouco chateada em passar pela vida sem pisar naquelas terras.
Precisa ver o vexa que é tentar um visto para os Estados Unidos! Tô fora!
É bem verdade que outros países também estão impondo algumas restrições e conseqüentes humilhações aos brasileiros, e de outras nações também pobres, mas não vou poder viajar agora mesmo, então vou deixar para pensar nisso quando surgir o momento. Talvez seja só uma fase, mas também se não passar, fico por aqui mesmo. Estou com planos de um possível doutorado em Portugal ou Espanha daqui a alguns anos quando for Procuradora e um visto de estudante + uma declaração do órgão federal brasileiro + uma bolsa já intermediada entre este, ou melhor, a ESMPU e a universidade de lá, talvez contribuam para que não passe pela humilhação e raiva por ter que ser deportada de volta. E talvez seja mesmo só uma fase!...

Vira e mexe vivencio esse sentimento de anti-americanismo, que cresceu muito depois do fatídico 11 de setembro, e o que daí sobreveio, a resposta como foi dada a aqueles ataques terroristas e mais o recado dado para o resto do mundo, as torturas a que foram submetidos alguns civis, suspeitos sem mais explicações, por alguns soldados idiotas e psicopatas e somando-se a tudo isso mais dois yankees derrubando um avião cheio de brasileiros aqui bem debaixo do nosso nariz...É demais!

Nas olimpiadas não consigo deixar de torcer contra os times norte-americanos...e vibro quando perdem. É mais forte que eu, não consigo evitar!
Mas meu Deus! Como estou sendo injusta! E as milhões de pessoas boas e honestas? Mil perdões!!! Ora, gente que não presta tem em todo lugar...Aqui no Brasil mesmo, aos montes.

Hoje, ou melhor, noite de domingo, mas terminou agora, madrugada de segunda, assisti o filme Mediterrâneo, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1992. É uma comédia anti-militarista, ambientada durante a 2ª Guerra Mundial, que conta a história de oito soldados italianos deixados em uma pequena ilha grega do mar Egeu, para protegê-la em caso de ataque. A missão que deveria durar apenas quatro meses, se estende por quatro anos e os soldados vão pouco a pouco se integrando à população e aos costumes locais, até que a guerra e a Itália tornam-se distantes e irreais. É sem dúvida um belo filme pacifista, equilibrando comédia com drama sem ser piegas.
Uma pequena ironia: eles acabaram sendo "resgatados" pela marinha inglesa, não pela própria Itália, que os esqueceu. A guerra já tinha acabado, nesses quatro anos, e não eram mais inimigos.

domingo, 17 de agosto de 2008

Sem preocupação com os outros


De dois anos para cá, cai na real: não sei escrever!... Apesar de ler muito (e aqui estou me referindo mais especificamente ao Direito, pois só comecei a ler outros assuntos, ou melhor voltei a ler outros assuntos, desses dois anos prá cá mesmo) não conseguia nem responder uma prova subjetiva sem ficar com aquela sensação de frustração, de não ter conseguido me fazer entender. Constatava isso, muitas vezes, quando recebia o resultado da prova, e quase sempre lá ía reclamar para o professor, ainda porque queria que soubesse que eu tinha estudado, que sabia a matéria, só não tinha colocado a resposta "igual ou exatamente dentro daquilo que ele esperava". Era sempre irritante, pois muitas vezes o professor mantinha a nota. Não, eu não era o que se poderia chamar de uma chata, pois tinha um jeito todo especial e diplomático para fazer isso. O saco era o ter que fazer isso. E quando não conseguia obter resultado, ficava dois ou três dias reclamando (para os outros e pra mim) até finalmente me resignar com um "Bem feito! Não sabe escrever, tem mais é que pastar mesmo!".
Foi desses dois anos prá cá que também ganhei mais familiaridade com o Direito. Os assuntos são sempre correlatos, e o que se aprende hoje certamente vai ajudar a entender melhor o de amanhã. Poderia até fazer uma analogia com a estrutura de uma árvore (isso não tem nada a ver com a foto aí do lado e que uso para ilustrar algo que sinto e que falarei logo abaixo, ou o que se extrai de tudo isso ) que ao crescer vai ganhando novos ramos (novos conhecimentos), mas esses sempre ligados aos galhos principais (conhecimentos já adquiridos), que por sua vez se ligam ao tronco (a base do Direito). Essa é a razão porque querendo consegue-se fazer dez, onze, doze matérias nos últimos semestres do curso, a gente já tem bagagem, uma boa base, coisa praticamente inviável para quem tá lá entre o seu terceiro e sétimo semestre, período em que constumam entrar matérias processuais. Tem uma outra coisa super legal nisso tudo: apuramos nosso filtro, nossa percepção, e quando são lançados sobretudo pela mídia fatos que estão direta ou indiretamente relacionados ao Direito, e quase tudo é, a gente sabe de cara o rumo que aquilo vai tomar, e/ou naquilo que vai dá no final. Ou pelo menos tem uma idéia. Isso eu não sabia que adquiriria quando comecei a estudar. E talvez por isso a gente tanto se apaixone pelo Direito, ainda que não possa atuar imediatamente na área.
Toda essa viagem para chegar nesse ponto: quando me toquei que não sabia escrever, me expressar, comecei a fazer resumos enquanto estudava, o que ajudou um pouco, é claro, mas ainda assim estava e está muito aquém do ideal. Precisava, então, buscar novas formas, e uma delas, talvez a mais importante, veio quase que naturalmente. Já mais tranqüila com os conhecimentos adquiridos e a facilidade para assimilação dos novos, comecei a me interessar por novas áreas, ou retomar antigos interesses. Comecei a comprar e lê livros, que não de Direito, ou reler os que eu já tinha, esquecidos na estante e, aos poucos, e feliz da vida, descobri que estava precisando mesmo abrir os horizontes, buscar uma formação mais completa, eclética e enriquecedora.
Tem momentos também que paro para pensar tenho o tempo que muitas mulheres casadas e/ou com filhos não dispõe. Por vezes até lamento não ter filhos, por vezes preferiria ser uma mãe dedicada, meio burrinha é verdade, porque sem tempo para uma devida formação, mas feliz da vida com a prole, dentro de suas possibilidades, atendendo primeiramente suas necessidades. Acrescento aqui também sem o menor temor a dedicação ao ser amado (tem homem que realmente merece!). E por ter abdicado, naturalmente ou sem muita escolha, desse forte instinto maternal, me coloco como obrigada a ocupar meu tempo com uma formação apta a angariar um lugar mais digno na sociedade, diferente do que ocupo no momento, exercendo uma profissão mais condigna com a minha capacidade.
Opss! viajei novamente...
Então, voltando...: a vontade de aprender a escrever, seja por necessidade ou prazer, veio naturalmente ao ler um pouco de tudo e de tudo um pouco. Li também pela internet os posts de vários blogues, uns interessantes, outros nem tanto (até hoje ingresso nessa viagem, sempre na gostosa expectativa de encontrar pessoas especiais, que escrevem sobretudo com conteúdo de qualidade...), e daí surgiu a vontade de criar um espaço só meu, esse blog, em que eu pudesse aprender a escrever, ou pelo menos, melhorar minha redação. Afinal, é escrevendo que se aprende a escrever, e afinal cheguei ao ponto que queria: não importa que ninguém o leia, na verdade, prefiro até pensar que só estranhos, e dispensáveis, lêem meus posts.
E por quê?
Porque não suporto a idéia de ter um público "cativo", principalmente pessoas conhecidas que possam ficar na expectativa de conhecer o que estou pensando; porque sei que não conseguiria me dissociar dessa expectativa, e , com certeza, ficaria preocupada escolhendo o que escrever, ou o que não escrever, com o que pudessem pensar de mim, com a imagem que pudesse estar passando, de parecer o que posso não ser, enfim me limitar em tudo e por tudo, comprometendo a aprendizagem e o melhoramento da minha forma de expressão, coisa que a gente só bem consegue se estiver o espírito livre.
E porque não consigo ser como a Chapeira, uma das minhas bloguistas preferidas, e que parece não tá nem aí para quem lê seus posts e o que pensa sobre eles [transcrevo logo abaixo o que ela escreveu outro dia no seu blog - bem, não sei pra quem foi a bronca, mas achei bastante interessante e merecido (ainda que pessoalmente preferiria não dar uma resposta assim tão direta e massacrante, mas isso de fato não importa no momento) ] :

"[a quem interessar possa ]
Vamos lá, mais uma vez... só pra ficar mais claro: ESSE BLOG É MEU! Caso você ainda não tenha percebido, isso é um blog pessoal e nele eu escrevo o que bem entender, sobre o que eu bem entender, do jeito que eu bem entender. Eu não tenho compromisso com nada, muito menos com a ética, com o correto, com o legal. Eu escrevo o que eu quero e lê quem quiser. Se você não gosta do que eu escrevo, é só clicar naquele X alí em cima e ser feliz em outro canto. Simples assim minha gente. Tão simples que só alguém muito babaca pode não entender isso. E só pra esclarecer... democracia aqui não existe messsmo. Os comentários são moderados meeeeesmo, justamente por causa de gente como você, criatura infeliz, que acha que a caixa de comentários do blog dos outros é penico. Quer um conselho? Morra. E tem mais - eu sou a favor da exclusão digital, totalmente. Porque, cara, tem gente que não pode usar a internet. Pela atenção, obrigada :) Chapeira 2:30 PM "

Enquanto o sono não vem


ANÁLISE

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.
Fernando Pessoa, 12-1911
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Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, 11-9-1933
=====================================
Sua poesia já era surpreendente, e olha só como ficou, 22 anos depois!

sábado, 16 de agosto de 2008

Investimentos na dança




A revistra Bravo também traz um esboço geral das verbas aplicadas no Brasil à dança e o plano orçamentário para desenvolvimento da infraestrutura de desenvolvimento da companhia.
A medida que o Governo cria condições financeiras para que o corpo de baile possa desenvolver seus trabalho, também se aumenta a responsabilidade destes para apresentar bons resultados.
No Brasil, em melhor situação temos Minas Gerais com o Corpo, de Belo Horizonte, possuindo 20 bailarinos e quase 60 funcionários com vínculo empregatício. A verba é de aproximadamente R$ 5 milhões, patrocinada pela Petrobrás.
No Rio de Janeiro, a Companhia de Deborah Colker, do Rio de Janeiro, também é mantida por uma empresa do mesmo grupo petrolífero, garantindo sua estabilidade, embora já tenha contado com valores mais altos (R$ 3,7 milhões, reduzido para R$ 1,8 milhão).
São esses dois grupos como ilhas, muito distantes das águas instáveis em que os demais grupos procuram sobreviver.
É o exemplo do Ballet Stagiu, com 37 anos de atividade, trabalhando hoje com somente R$ 700mil por ano.
E também o BCSP, com 36 bailarinos, nenhum com registro em carteira, trabalhando com a dotação aproximada de apenas R$ 1,3 milhão, verba da prefeitura.

Segundo o Secretário Estadual da Cultura, João Sayad, o SPCD pode colocar a dança num lugar mais proeminente, servindo de catalisador para a área, "assim como é a Osesp para a música erudita." A orquestra, considerada modelo, com padrão de qualidade internacional, tem uma verba de R$ 43 milhões.

O projeto da São Paulo Companhia de Dança - SPCD inclui ainda a construção da sede da companhia. Há a promessa de inauguração do arcabouço do teatro até o final do mandato de José Serra, deixando o conteúdo por conta do próximo governo, ou seja a manutenção das verbas para seu funcionamento.
O governo atual já investiu R$ 34 milhões nas desapropriações de imóveis no local da antiga rodoviária da cidade, área que chega a 70 mil metros quadrados, destes, 15 mil, serão ocupados pelo teatro de dança.
No espaço que sobra, cogita-se a construção de um hotel, quando estiver funcionando a linha de trem que ligará o aeroporto de Guarulhos à Estação da Luz.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Reflexões sobre a administração do tempo - i


Agora com as aulas voltando, senti necessidade de refletir sobre a forma como uso o meu tempo.
Nas férias li um livro sobre administração do tempo (estava precisando!) e outro um tanto correlato, Como Passar em Provas e Concursos do William Douglas, professor e juiz federal.

Geralmente, quem administra o tempo é considerado ou visto como um escravo do relógio. Mas a verdade é exatamente o contrário: quando controlamos nosso tempo, passamos a ser senhor dele e quando não o administramos, somos por ele dominado, pois estamos sempre fazendo tudo sob pressão, na última hora, nunca na ordem ou no momento adequado, ou que desejaríamos.
Isso é o óbvio, mas infelizmente um pouco difícil de aplicar em nossas vidas.... Exige-se , pois, uma boa dose de força de vontade, muita disciplina e perserverança.

Não precisamos programar nossas vidas nos mínimos detalhes. Podemos conseguir bons resultados apenas adquirindo um certo controle sobre ela.
É lógico que é necessário planejar, mas tem que ser com uma certa flexibilidade, esta suficiente para fazer as devidas correções em seu curso. Um exemplo seria quando estamos bem no meio de um estudo interessante, mas cujo momento programamos para outra atividade..., Por que não continuar? Depois é só reprogramar para se entrar no eixo novamente.
Existe a crença de pessoas comodistas, por vezes até ingresso nela, de que na hora "H" sempre conseguimos dá conta de fazer aquilo que, na verdade, deveria ter sido feito no seu devido tempo. Ou ainda, de que só produzem mesmo, ou melhor, quando estão sob pressão.
No meu trabalho isso não funciona, pois trabalhamos com prazo para tudo. Aprendemos também a reservar espaços temporais para os quase sempre presentes contratempos de última hora. A complexidade é enorme e o volume de tarefas exigem bastante atenção, e disciplina, o que ajuda a minimizar os erros.
Embora não goste muito do meu trabalho, essa é, sem dúvida, umas das coisas que aprendi com ele, e isso foi ótimo!
Na nossa vida particular, caimos na tentação de racionalizar a preguiça, a indecisão, e o resultado disso, ou melhor adquirimos o péssimo hábito para a procrastinação. Porém, não há nenhuma evidência que justifique esse tipo de comportamento, até porque quando agimos assim, acabamos por não tentarmos trabalhar nossas atividades na sua forma ideal, sem pressão, e assim podermos comparar seus resultados.
Na vida acadêmica, quando adquirimos o bom hábito de estudar ao longo do semestre letivo, com calma e sem pressões, saimos, geralmente, muito melhor do que se deixássemos para estudar nas vésperas das provas, rotina que nos obriga a passar noites em claro para conseguir aquilo que deveríamos vir fazendo durante o tempo todo.
O semestre passado, no meu curso de Direito, muitas vezes me vi obrigada a fazer o contrário, deixar para a última hora, mas quase por falta de escolha. Estava fazendo onze matérias mais a mono, e, em função disso, a ordem era fazer primeiro o mais urgente, e como eram muitas atividades, provas e trabalhos, quase sempre acabava ficando tudo mesmo para a última hora. Mas isso não é o normal, digo, ter que fazer tantas matérias juntas. Com certo sacrifício consegui até boas notas, surpreendendo alguns colegas que faziam apenas a metade delas.

Precisamos também tomar cuidado com pensamentos do tipo "ter tempo é só uma questão de querer ter tempo". Acreditamos que iremos dar um jeito de arrumar tempo para tudo aquilo que realmente queremos fazer. Mas isso é mera projeção e quase sempre dá errado. Nem sempre conseguimos e simplesmente porque nem sempre dispomos do meio indispensável para obter, criar esse tempo extra. E qual seria esse meio indispensável?... a simples administração do nosso tempo, trabalhando o presente e o futuro, de forma bastante realista, saindo do campo da mera projeção, da expectativa, do excesso de confiança ou do otimismo ingênuo, que só atrapalha e tanto nos engana.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Investimentos para a nossa dança

(Os bailarinos Ed Louzardo e Priscilla Yokoi, em ensaio da São Paulo Companhia de Dança)

Em tempo, acabo de comprar a Revista Bravo deste mês, e para minha surpresa temos um alento para nossa dança.

Segundo matéria publicada, a SPCD - São Paulo Companhia de Dança está recebendo recursos e apoio inéditos no Brasil e pretende estrear neste mês o primeiro trabalho de um projeto ambicioso e que segue o modelo do Balé da Ópera de Paris

Desde o íncio do ano, com a criação da São Paulo Companhia de Dança (SPCD), os envolvidos no projeto ganharam uma perspectiva aristrocrática por parte do governo estadual. A verba anual de R$ 13 milhões levou o grupo a contar com recursos inéditos para a dança no Brasil, o que também traz, em contrapartida, uma enorme responsabilidade.
Para Iracity Cardoso, atual diretora artística da SPCD, há a possibilidade de inspirar-se no Balé da Ópera de Paris, companhia francesa que conta com 154 bailarinos e que foi criada há quase 350 anos na corte de Luís 14, o chamado Rei Sol.

Para a estréia, uma criação do italiano Alessio Silvestre, Polígono, e para novembro um espetáculo que reune três obras: Serenade, clássico do russo naturalizado americano Gewrge Balanchine, de 1934; Les Noces, da Russa Bronislava Nijinska, de 1923; e uma criação contemporânea, do carioca Paulo Caldas.
(Desses, em viagem rápida, tentarei assitir Serenade e Les Noces...Pena que não haja previsão para apresentação em Brasília!).
A reunião de obras clássicas com produções contemporâneas, como programação inicial, reflete o modelo implantado no Balé da Ópera de Paris por Britgitte Lefèvre, diretora artística da companhia francesa desde 1995. Brigitte revitalizou o repertório do grupo, que hoje possui desde obras clássicas a criações modernas e contemporâneas, assinadas por grandes coreógrafos internacionais, como Pina Bauxh, William Forysthe e Tristha Brown.
Sabe-se que a tentativa de equivalência desse porte não é fácil. Mas para isso a SPCD exigiu técnica clássica apurada dos seus 36 bailarinos - 20 moças e 16 rapazes,

Esse grupo de bailarinos, originários de diferentes cidades (além da capital paulista, Belém, Recife, Brasília, Porto Alegre e Buenos Aires), mudou a rotina na Oficina Cultural Oswald de Andrade, reformada para ser temporariamente a sede da SPCD.
Segundo a matéria, também como ocorre nas companhias de tradição clássica, o elenco foi organizado em forma de pirâmide que vai do integrante do corpo de baile à estrela, sendo que o grupo adotou uma hierarquia que inclui quatro categorias, do aspirante ao "bailarino 3". E nessa mesma ordem, os salários são diversificados, podendo chegar a R$ 8 mil, considerado um valor inatingível para a maioria dos veteranos no Brasil.

Tá melhorando!

"A iniciativa de criar a SPCD acrescenta um capítulo numa história de tentativas de elevar a dança ao primeiro plano da cena cultural. Ao mesmo tempo, muda uma caracterísitca histórica da cidade, onde as companhias profissionais preferem cultivar exclusivamente a dança contemporânea. (...)"

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Nem tudo é fácil



É difícil dizer eu te amo,
assim como é fácil não dizer nada.
É difícil valorizar um amor,
assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje,
assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom,
assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz,
assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir,
assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém,
assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão?
Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida.
Mas com certeza nada é impossível...
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos,
Mas também tornemos todos esses desejos,
REALIDADE !!!

Cecília Meirelles
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domingo, 10 de agosto de 2008

Será que é a TPM?

Tenho me sentido profundamente irritada com tudo e com todos nos últimos dias (e sem motivo!). Como isso não é muito comum, estou ficando preocupada. Tinha planejado minhas férias para agora, depois do fechamento da folha de pagamento, mas estou tão sem paciência para viajar!...O tempo todo quero ficar sozinha, sem querer ver ninguém, ou sem ter que falar com alguém.
Se não passar até o final de semana, acho que procurarei tomar algum desses remédinhos tipo sossega-leão que vendem em farmácias. E vai ser assim já que não consigo nem imaginar a idéia de procurar um médico, falar sobre o assunto, e ter que ouvir coisas do tipo se não passar tem que fazer tratamento psicológico.
Os pets estão me ajudando muito nessa fase, sua inocência sempre me comove, fazendo lembrar o tempo todo que a vida é um milagre.
[!...]
Mas acho que é hormonal e desconheço a razão de tão intensa manifestação sintomática.
[!...]
Lembrei dessa mensagem do Chico Xavier, a qual transcrevo na tentativa de viver a emoção do sentido de cada frase. Grande mestre!

"A sua irritação não solucionará problema algum...
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas...
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não modifica a vida...
A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus...
A sua tristeza não iluminará os caminhos...
O seu desânimo não edificará ninguém...
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade...
As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você...
Não estrague o seu dia.
Aprenda a sabedoria divina,
A desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre...
Para o infinito bem! "
Chico Xavier

sábado, 9 de agosto de 2008

Agregando valor


É impressionante o valor especulativo que essa propriedade situada na Côte d'Azur *, no sul da França, atingiu no mercado. Vendida por 500 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão) a um bilionário russo, é de longe o mais alto valor pago até o momento em uma transação imobiliária.
Sabemos que propriedades urbanas e rurais na Europa possuem preços bastante consideráveis em função da sua pequena dimensão continental e também da saturação de seus espaços disponíveis. Somando-se a isso, algumas regiões, em função de sua localidade, obtiveram grandes investimentos em infra-estrutura, levando-as a obterem o reconhecimento e a preferência das pessoas endinheiradas que habitam outras partes do globo (entre elas astros holywoodianos, cuja estadias de férias são devidamente documentadas pela imprensa sensacionalistas e especialistas em elites).
Fiquei muito curiosa com a história dessa casa, e o que pude verificar de mais importante na pesquisa foi:
A casa, conhecida como Vila Leopoldina, foi vendida por um franco, preço simbólico, acredito, que permitiu a transmissão da propriedade, de forma a não caracterizar uma doação, ao rei Léopold II da Bélgica, em 1902.
Mais tarde, durante a 1ª Guerra Mundial, foi transformada em um hospital para os feridos de guerra e antes de passar para o patrimônio da família Safra, já tinha sido propriedade da família Agnelli, também proprietária da Fiat.
Dona Lily Safra, brasileira, viúva de Edmond Safra, recebeu-a como herança em 1999. Sabe-se que Edmond Safra costumava oferecer grandes recepções na Vila, atraindo personalidades como Frank Sinatra e o ex-presidente americano Ronald Reagan.
Segundo informações da imprensa, muitos milionários russos (como conseguiram chegar a esse estado em tão pouco tempo de transição do comunismo para o capitalismo é bastante curioso) vêm comprando propriedades na região, o que contribui para o aumento vertiginoso dos preços.
Um agente imobiliário da região declarou que ele e outros colegas que trabalham no ramo não ousam mais oferecer a esse tipo de clientela algo que não atinja pelo menos 100 milhões de euros, do contrário, segundo o mesmo, seriam imediatamente repudiados (pelos compradores). Acrescentou ainda que os proprietários locais estariam bastante animados com a crescente especulação imobiliária na região, algo que parece lógico, já que o efeito cascata também traz valorização para as suas propriedades.
Lily Safra, com um patrimônio estimado em US$ 4,7 bilhões, ocupa a 11ª posição da lista das mulheres mais ricas do mundo. E agora está mais rica, já que a casa, ao meu ver, não valia isso tudo. Quem comprou, o russo!?!, com certeza não sabe o que fazer com tanto dinheiro, usando-o para auferir prestígio e status.
É impressionante a facilidade com que agregam valores os agentes que alimentam o sistema capitalista, conseguindo atingir numa simples negociação, resultados de investimentos que estão distantes, muitos distantes dos "simples mortais". A força é tão grande que até as migalhas que daí decorrem são bastante generosas para os que estão a abocanhar suas sobras.
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(*) Há uns tempos atrás, numa "brincadeira" de quem não tem o que fazer, andei viajando pelo Google Earth a procura de lugares maravilhosos onde pudesse morar quando me aposentasse, e encontrei, entre outros, esse lugar, onde está a cidade de Nice, Villefrance e ao lado de Mônaco. É muito lindo!!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Bailarino
















O bailarino é uma forma de arte viva. É fascinante a leveza e a força de cada movimento com que realiza a coreografia.
"Faz judô, cara! Balé é coisa de macho. A gente sai todo quebrado, contundido, não é moleza não", é o que o Thiago Soares, primeiro bailarino do Royal Ballet de Londres, costuma dizer brincando aos amigos que pretendem se dedicar a dança.
Os movimentos de uma bailarina também são maravilhosos, mas acho que para ela é mais fácil...., não sei, afinal basta delicadeza e técnica.
Como não existem muitos bailarinos homens, acabo vendo-os como jóias raras. O pequeno número desses profissionais, em parte, se explica pelo fato de serem objeto do preconceito machista e irracional que pesam sobre algumas sociedades contemporâneas. Por isso, acredito, muitos que teriam grande talento para a dança, deixam de seguir a carreira.
Outro motivo seria mesmo a falta de incentivo, os poucos recursos para manterem as companhias, poucos patrocinadores e a falta de reconhecimento do público, este geralmente despreparado culturalmente para a apreciação de tão belo espetáculo humano.
Como é lamentável tudo isso!
Estou fazendo uma coleção de DVD's de ballet e já tenho La Fille mal Gardée, La Bayadère, Return of the Firebird, Spartacus, Raumonda, The Glory of the Kirov, A Gloria do Bolshoi, Manon, Le Corsaire, Cinderela, O Quebra-Nozes, Don Quixote, Branca de Neve, e outros. Uma vez por semana, quase sempre no domingo, assisto um, e não importa se é repetido... Não me canso de assistir..., as coreografias são belíssimas!
Os espetáculos são constantemente montados pelo mundo, pelas diversas companhias de ballet, e sofrem algumas variações na coreografia, no cenário, mudando-se às vezes também os bailarinos, enfim a idéia é sempre surpreender cada vez mais a platéia.
Espero algum dia poder assisti-los pessoalmente. Em função da procura, as reservas devem ser feitas com bastante antecedência, mas com o uso da internet, você consegue programar toda a sua viagem, comprar os ingressos aqui e garantir uma cadeira no melhor lugar.
Tem uma coisa muitíssimo importante: assistir o filme é completamente diferente de assistir pessoalmente. A fita é editada de forma a focalizar somente os principais passos e em determinados ângulos do movimento, num quadro mínimo e numa sucessão de movimentos que colocam os sentidos do telespectador em absoluta passividade. E, em sendo assim, perde-se a visão do conjunto, do contexto geral, coisa que só se consegue se estiver lá... É como ler um livro, a complexidade de percepções é muito maior, dependendo somente da imaginação do leitor, quase sempre maior do que a do filme sobre o mesmo tema. Um exemplo, ler o livro O Pianista é muito diferente de assistir o filme.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Rosas amarelas


EM TI ROSAS AMARELAS

Cheiro as rosas amarelas
Elas lembram a ti
Abrindo-se num espaço contínuo
de vida, luz e carinho sem fim
Quisera eu tê-las em meus braços
Mais quisera eu tê-lo aqui
Sorrindo ao sabor da tua vida
Luz da esperança eterna por vir
Então beijo as rosas amarelas
Sonhando em delírio por ti

Abrem meu abraço flor
Quando te sinto no encontro
Exalando a felicidade da cor
Daquele momento único
E a doçura de pétalas amarelas
Do teu beijo rápido e certeiro
Presente sorriso em cativante alegria
Perpétuo instante em tua essência amor
E minh' alma enamorada prosta-se
Abandonada inebriantes rosas em ti

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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Homenagem a Athos Bulcão


Morando em Brasília, não poderia deixar de dedicar um pouco do meu espaço a este inesquecível artista, Athos Bulcão, que fez sua passagem, no último dia 31, aos 90 anos, e que desses, foram 50 anos dedicados à uma arte em perfeita harmonia com a arquitetura.
...
O artista carioca Athos Bulcão tem mais de 50 anos de trabalho dedicados principalmente a nossa cidade, Brasília. Sua arte imprimiu uma assinatura de matizes bem definidas, que, espalhada por vários pontos da cidade, compõe painéis, ruas, prédios residenciais, públicos e parques.
São marcas pós-modernas, construtivistas e contemporâneas. Seus famosos azulejos cobrem as superfícies curvas de Niemeyer, compondo a história da conhecida arte arquitetônica de Brasília.
Na juventude Athos Bulcão foi assistente de Portinari, tendo freqüentado (ainda não me habituei com a atual reforma ortográfica!) a roda Modernista do Rio de Janeiro. Foi também amigo de Burle Marx, Murilo Mendes e Oscar Niemeyer.
Veio para Brasília em 1958 e aqui escolheu-a como sua residência fixa.
Nesse mesmo ano, realizou os azulejos da Igrejinha de N.S. de Fátima e do Brasília Palace Hotel, primeiros projetos entre tantos outros que se tornaram marca na cidade.
Sua obra inclui também pinturas, gravuras, fotomontagens, relevos em concreto e madeira, e tantas outras intervenções em arquitetura.
A Fundação Athos Bulcão - que desde 1992 se dedica a promover, documentar e preservar a obra do artista - em comemoração aos seus 90 anos de vida e os 50 em Brasília, está organizando a "Athos 90 - Vida, Arte e Movimento", uma série de exposições, publicações e seminários, bem como projetos especiais, que vão se estender até o final deste ano.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Melancolia da volta


Agosto chegou, as aulas voltaram.
Já tinha terminado um ciclo de estudos. Poderia até descansar um pouco, mas me sinto tão perdida sem eles. Apesar de tantas vezes enfadonho, o Direito tem sido o meu norte, o único concreto onde piso que parece me sustentar. É meu companheiro de viagem nessa vida muitas vezes sem sentido. Não sei se o levo ou é ele quem me leva. Apenas sei que sem ele cairia nesse abismo escuro e vazio que fica bem aqui ao meu lado, assustador e pronto para consumir minha frágil e triste alma....
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Soneto IV

Conquista pois sozinho o teu futuro
Já que os celestes guias te hão deixado
Sobre uma terra ignota abandonado
Homem - prescrito rei - mendigo escuro!

Se não tens que esperar do Céu (tão puro,
Mas tão cruel!) e o coração magoado
Sentes já de ilusões desenganado,
Das ilusões de antigo amor perjuro,

Ergue-te, então, na majestade estóica
Duma vontade solitária e altiva
Num esforço supremo de alma heróica!

Fere um templo de muros da cadeia
Prendendo a imensidade eterna e viva
No círculo de luz da tua idéia!

(Antero de Quental)


Antero de Quental, um dos maiores poetas portugueses, deflagrou o Realismo em seu país e pode ser comparado a Camões e a Bocage na elaboração de sonetos.
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domingo, 3 de agosto de 2008

A Hora da Estrela



Publicado em 1977, A Hora da Estrela escrita por Clarice Lispector é uma obra flagrante de um personagem tanto numerosa quanto desprezada na sociedade brasileira: a imigrante nordestina em estado de miséria.
Macabéa nasceu no sertão, raquítica, e até um ano nem tinha nome. Ficou órfã aos dois anos e uma tia benta continuou sua criação à base de cascudos. Quando esta morreu, Macabéa foi para o Rio de Janeiro, decisão que tomou sem que soubesse exatamente por quê.
Já no Rio, passou a dividir um quarto perto do cais com mais quatro moças e trabalhar como datilógrafa num pequeno escritório, emprego mantido quase que milagrosamente, uma vez que executava o serviço de forma bastante sofrida, cometendo erros de mecanografia e de ortografia imperdoáveis. Seu salário era miserável, o qual permitia-lhe manter apenas uma dieta de cachorro-quente (um por dia) e Coca-Cola, nada mais. A noite, costumava ficar mastigando pedacinhos de papel, o que ajudava a enganar o terrível vazio que sentia no estômago.
Sua miséria e orfandade, bem como a ausência total de afeto fez dela uma criatura quase nula: "Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham"; "...ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando. [...] O seu viver é ralo".
O que a salva da indigência é algo que ela traz em si tremeluzindo como uma pequena chama de uma vela: anseios fragmentados e vagos de vida e alegria.
Um dia, num de seus passeios a pé, conheceu Olímpico, por quem se apaixonou.
Olímpico tinha vindo para o Rio após ter cometido um crime de morte no Nordeste. Homem inseguro, é o tipo clássico que se esconde sob uma camada truculenta e de petulância.
Após alguns encontros com Macabéa, Olímpico se apaixona por Glória, uma mulata de cabelos oxigenados e de "traseiro alegre", que tabalhava no mesmo escritório com Macabéa.
Macabéa "procurou continuar como se nada tivesse perdido", já que não se sentia particularmente digna de nada; continuou até mesmo suas relações com Glória.
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"O isolamento social de Macabéa se dá pelo total abandono do sistema ao direito mais importante do cidadão, que é a educação e o acesso à informação. Seu total abandono de tudo é a mais verdadeira realidade do povo brasileiro, que mesmo os que têm acesso à informação muitas vezes não sabem aproveitá-la, porque não possuem “bagagem” cultural para que isso aconteça. Macabéa foi metaforizada por Clarice como a representação da falta de oportunidade, da crítica ao sistema e da passividade pelo qual o brasileiro vive atualmente." (http://carrenho.typepad.com/blogdoseditores/2008/06/clarice-fez-de.html)
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