
Estamos na véspera do dia das mães, segundo domingo de maio. Sempre que esta data chega, e em outros determinados momentos especiais, começo a sentir uma ansiedade prá lá de incômoda. Sinto sobre mim dois medos enormes: perder minha querida mãezinha, que já está bem velhinha e o outro é não mais poder ter filhos.
O tempo passou e não tive a sorte de encontrar alguém que realizasse esse meu sonho. Hoje, cheguei a uma idade, em que é muito difícil se encantar com os homens. Recentemente tinha encontrado alguém muito especial, que poderia me proporcionar essa benção, que também seria dele, é claro, mas que sequer abriu espaço para essa possibilidade...Ele não me quis!... Devia e deve estar esperando alguém com um monte de qualidades que eu não tinha, mais jovem, mais bonita, mais alegre, mais rica, mais sei lá o que. É um direito dele, não há dúvida, e eu morreria defendendo isso se fosse necessário. Não estou sendo hipócrita? De maneira alguma. Por quê? Porque já passei por isso, dispensei tantos homens, porque não os considerava dignos do meu amor, e outros que não eram mesmo, e que meu estinto de preservação descartou sem a menor dúvida e arrependimento. O fato é: não tive a sorte, mas ele poderá ter, de encontrar aquela pessoa que é perfeita para si.
Poderia, se tivesse sido mais prática, escolher o menos piorzinho, mas sabe como é, a gente sempre espera que o amanhã nos traga aquele ideal.
O tempo passou, e descobri que o destino não havia reservado alguém para mim. Tenho uma estrutura emocional que me faz sentir-se muito bem sozinha e gosto da minha companhia, mas..., não sei se ela é suficientemente forte para aguentar o que virar pela frente. Quando perder meus pais, sei que vou me sentir muito sozinha. Meus irmãos, não tenho irmãs, são muito na deles, já possuem família. A consequência disso será muita solidão, e isso é realmente muito assustador.
Neste momento estou precisando de colo, ou melhor ainda, de voltar para o aconhego do útero que me envolveu, que supriu todas as minhas necessidades sem que eu fizesse nada por merecer, que me formou e me preparou para que eu viesse ao mundo. Mas, infelizmente, isso não é possível!
O alento seria proporcionar esse milagre, com as bençãos divina de um Deus muito poderoso, a alguém que mesmo sem sequer existir eu já amo.




