Querido Tielo, seu post antigo é lindo, mas também tão trágico!...
Tenho sempre acompanhado, ainda que de longe, essa sua peregrinação, e vejo que, como eu, você é também um ser extremamente complexo, e que, provavelmente, também não responde a tratamentos psicológicos.
Gostaria muito de poder lhe ajudar, tentando mostrar um caminho, mas sei que cada pessoa deve naturalmente encontrar o seu próprio.
Bem, penso que já tenha o seu, mas deve prestar mais atenção à paisagem, nem sempre bela, mas melhor que olhar para os dedos dos pés.
Lembra-se da abertura do filme Forrest Gump? Tinha uma pena que voava ao sabor do vento. Sabemos que aquela pena representava a vida da personagem vivida pelo ator Tom Hanks. Essa também pode ser a nossa vida, quando deixamos de assumir sua direção, ou quando, como numa das cenas do filme, corremos o tempo todo, sem objetivos, fugindo de nós mesmos, e o que é pior, olhando para trás.
Você é uma das pessoas mais inteligentes que já conheci, e sei que é capaz de fazer, material e/ou espiritualmente, um milhão de coisas bem melhor do que muita gente.
Então, por que não esquecer um pouco essa busca da própria essência, e voltar-se para o seu exterior e o que ele pode lhe proporcionar de mais belo. Depois volte e faça o balanço, mas sempre com o que conseguiu de novo.
Procure também sempre sentir o milagre da vida manifestado em seu ser e , se possível, agora, faça este pequeno exercício:
(por favor, não compare isso com a literatura dos livros de auto-ajuda, que detesto, por não cumprirem o que prometem.)
E não ria, é sério!...
Num primeiro momento, imagine que o mundo enigmático que habita em seu ser esteja diluído em argila dentro de um balde. Imagine também que o seu plano de visão, e só você pode tê-lo, seja de cima para baixo. Em seguida, mexa na água e tente enxergar o fundo do balde. O objetivo é ter a noção da profundidade deste, e, principalmente, conhecer a exata dimensão do seu conteúdo, ou seja, se conhecer melhor. O problema é que quanto mais você mexe, mais a água fica turva, não é verdade? E, num dado momento, você acaba desistindo. Você também percebe que parando de mexer, a argila vai toda para o fundo e, assim sendo, continuará sem respostas.
Em segundo plano, você pensa: E se eu colocar mais e mais água? O conteúdo do balde não transbordará? Tudo indica que sim, mas a água se tornará cada vez mais límpida, e então poderá , com a mais absoluta certeza, ver o fundo do mesmo, e ter então, o domínio claro e certo de seu conteúdo.
Quanto a mim, busquei a água em várias fontes, das psicoterapias aos livros de auto-ajuda, passando pela religião, mas encontrei sua forma mais pura apenas em uma delas, a filosofia.
Só a filosofia pode fornecer os meios para que cada um busque sua auto-cura. Caminho longo e sinuoso! É verdade! Mas compensa, porque enriquece a alma da forma mais completa possível, aquela que é a justa medida entre o ser e o que lhe falta, seja lá o que for, para cada um de nós...
Nunca vou esquecer de minha amiga, Andréia, numa festa em que fui e conhecia pelo menos 80% das pessoas ali presentes. Todas elas, inclusive eu, estavam com máscaras estampando alegrias que não correspondiam a realidade. Como eu sei? Conversei com quase todas, convivo com elas e sei o quanto estão tristes em seus dia-a-dia. Só essa amiga, que estudou filosofia, estava verdadeiramente feliz... E a percepção disso foi marcante em minha vida!
De quem também está no campo de batalha*, com carinho e muitos beijos.
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é importante que não se esteja lutando contra si mesmo, e importante que toda a munição, qual seja, nossa energia, esteja direcionada para o alvo certo.