
Ainda aproveitando as férias, fui pesquisar sobre o tema.
Para Aristóteles são três as definições de amizade: o primeiro tipo é a amizade útil, onde seus protagonistas são “aqueles que fundamentam sua amizade no interesse, amam-se por causa de sua utilidade, por causa de algum bem que recebem um do outro, mas não amam um ao outro por si mesmos”. Típica amizade comum entre os adultos. Exemplos não são poucos: a que gera conforto ao paciente, que portador de uma doença delicada, busca um vínculo maior com o seu médico; aqueles amigos de final de semana, que procuram momentos de descontração enquanto bebem algum “analgésico” para auguras da vida; aquela não tão amiga, bem chatinha, que finalmente arranjou um namorado, e deslumbrada, não desgruda de você e quer contar todos os detalhes. Enfim, o convívio só lhes é agradável enquanto desperta a certeza/esperança de algum bem como retorno.
O segundo conceito de amizade para Aristóteles seria o da amizade agradável, típica “daqueles que amam por causa do prazer: não é por causa do caráter que os homens amam as pessoas espirituosas, mas porque as consideram agradáveis”, e mais comuns entre os mais jovens, uma vez que estes são guiados mais pela emoção e procuram mais o que lhes dá prazer. Inclui-se aqui o “ficar”, que é uma espécie mais intensa e que “mistura as bolas”, unindo o útil ao agradável.
Como são tipos de amizades que buscam um fim, Aristóteles nos diz que são amizades acidentais, “pois a pessoa amada não é amada por ser o homem que é, mas porque proporciona algum bem ou prazer. É por isso que tais amizades se desfazem facilmente se as partes não permanecem como eram no início, pois, se uma das partes cessa de ser agradável ou útil, a outra deixa de amá-la”. E por assim dizer “útil” e “agradável” são valores relativos que constantemente se modificam. Ainda ilustra “De fato, as pessoas más não se deleitam com o convívio uma das outras, salvo se essa relação lhes traz algum proveito” e “os criminosos não parecem propensos à amizade, pois tais pessoas não têm muito de agradável, e ninguém deseja passar seus dias com pessoas cuja companhia é dolorosa ou não é agradável, já que a natureza parece evitar acima de tudo o que é penoso e buscar o agradável”,
O terceiro conceito apresentado por Aristóteles seria o que corresponde a amizade ideal: “é aquela que existe entre os homens que são bons e semelhantes na virtude, pois tais pessoas desejam o bem um no outro de modo idêntico, e são bons em si mesmos”. Este tipo de amizade não é acidental. Pode tornar-se permanente uma vez que “aqueles que desejam o bom aos seus amigos por eles mesmos são amigos no sentido mais próprio, porque o fazem em razão de sua natureza e não por acidente”. É também o caso de irmãos que tendo galgado um certo grau de maturidade, conseguem engessar as adversidades naturais de uma relação em família. Há reciprocidade de sentimentos, alegria em se redescobrirem, do tipo “Sempre estar lá, me fez voltar... Não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar...”
Tal conceito encontra base também no pensamento de Platão, que, no diálogo chamado Lisis ou da amizade, escreve o seguinte “ somente o homem de bem é amigo do outro homem de bem, ao passo que o malvado não pode chegar à verdadeira amizade nem como o homem bom nem com outro malvado”. Decorre daí a idéia central de que o amigo perfeito é aquele que ajuda ao outro a encontrar o caminho do bem. Por isso, ela só pode ocorrer “entre duas pessoas que sejam sensíveis e virtuosas”, como dizia Voltaire.
É importante lembrar que este tipo de amizade requer tempo e prática. Mesmo conhecendo uma pessoa há 10, 20 anos, não podemos dizer que é nossa amiga. Há a necessidade de se formar um vínculo mais intenso. É o que confirma Aristóteles: “além disso, uma amizade dessa espécie exige tempo e intimidade. Como diz o provérbio, as pessoas não podem conhecer-se mutuamente enquanto não tiverem ‘consumido muito sal juntos’”.
O filósofo brasileiro Leonardo Boff diz que a estrutura central do ser humano não é a razão e sim o afeto. E quando partimos desse pressuposto, percebemos que a amizade destaca-se como um dos principais bens necessários a uma boa sociabilidade. Nascendo da confiança mútua, é uma relação de amor e de afeto muito especial, e principalmente um sentimento recíproco, já que é impossível ser amigo de alguém que não seja, por sua vez, nosso amigo.
E sobre o Tempo e a Distância?
Às vezes, na amizade pode ocorrer a descontinuidade temporal-geográfica, ou seja, podemos ficar muito tempo sem encontrar um amigo, mas quando o vemos é como se o tempo não tivesse passado. Um reencontro provoca aquela alegria de outrora. Assim, "uma relação ideal de amigos é uma relação de unidade porque nós podemos não estar reunidos o tempo todo, mas sentimos que estamos unidos por esse sentimento de reciprocidade, um sentimento de unidade, seja pelas afinidades político-ideológicas ou pelas confidências no campo da vida privada."
Epicuro (341-270 a.C.), pensador grego, tinha a seguinte máxima: “de todos os bens que a sabedoria nos ensina e que são necessários para a nossa sobrevivência, a amizade é de longe a maior”. Considerando também que ela se estabelece a partir de uma relação entre iguais, não havendo qualquer tipo de dominação, e, portanto, desequilíbrio, pode-se dizer que a relação entre amigos, baseada em respeito mútuo, se constitui num espaço para o desenvolvimento de valores éticos.
Para a filósofa Maria Lúcia A. Aranha, “talvez não seja muito fácil encontrarmos verdadeiros amigos. Mas, quando os temos, vale a pena cultivar sua amizade, que pode vir a durar a vida inteira.”
O segundo conceito de amizade para Aristóteles seria o da amizade agradável, típica “daqueles que amam por causa do prazer: não é por causa do caráter que os homens amam as pessoas espirituosas, mas porque as consideram agradáveis”, e mais comuns entre os mais jovens, uma vez que estes são guiados mais pela emoção e procuram mais o que lhes dá prazer. Inclui-se aqui o “ficar”, que é uma espécie mais intensa e que “mistura as bolas”, unindo o útil ao agradável.
Como são tipos de amizades que buscam um fim, Aristóteles nos diz que são amizades acidentais, “pois a pessoa amada não é amada por ser o homem que é, mas porque proporciona algum bem ou prazer. É por isso que tais amizades se desfazem facilmente se as partes não permanecem como eram no início, pois, se uma das partes cessa de ser agradável ou útil, a outra deixa de amá-la”. E por assim dizer “útil” e “agradável” são valores relativos que constantemente se modificam. Ainda ilustra “De fato, as pessoas más não se deleitam com o convívio uma das outras, salvo se essa relação lhes traz algum proveito” e “os criminosos não parecem propensos à amizade, pois tais pessoas não têm muito de agradável, e ninguém deseja passar seus dias com pessoas cuja companhia é dolorosa ou não é agradável, já que a natureza parece evitar acima de tudo o que é penoso e buscar o agradável”,
O terceiro conceito apresentado por Aristóteles seria o que corresponde a amizade ideal: “é aquela que existe entre os homens que são bons e semelhantes na virtude, pois tais pessoas desejam o bem um no outro de modo idêntico, e são bons em si mesmos”. Este tipo de amizade não é acidental. Pode tornar-se permanente uma vez que “aqueles que desejam o bom aos seus amigos por eles mesmos são amigos no sentido mais próprio, porque o fazem em razão de sua natureza e não por acidente”. É também o caso de irmãos que tendo galgado um certo grau de maturidade, conseguem engessar as adversidades naturais de uma relação em família. Há reciprocidade de sentimentos, alegria em se redescobrirem, do tipo “Sempre estar lá, me fez voltar... Não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar...”
Tal conceito encontra base também no pensamento de Platão, que, no diálogo chamado Lisis ou da amizade, escreve o seguinte “ somente o homem de bem é amigo do outro homem de bem, ao passo que o malvado não pode chegar à verdadeira amizade nem como o homem bom nem com outro malvado”. Decorre daí a idéia central de que o amigo perfeito é aquele que ajuda ao outro a encontrar o caminho do bem. Por isso, ela só pode ocorrer “entre duas pessoas que sejam sensíveis e virtuosas”, como dizia Voltaire.
É importante lembrar que este tipo de amizade requer tempo e prática. Mesmo conhecendo uma pessoa há 10, 20 anos, não podemos dizer que é nossa amiga. Há a necessidade de se formar um vínculo mais intenso. É o que confirma Aristóteles: “além disso, uma amizade dessa espécie exige tempo e intimidade. Como diz o provérbio, as pessoas não podem conhecer-se mutuamente enquanto não tiverem ‘consumido muito sal juntos’”.
O filósofo brasileiro Leonardo Boff diz que a estrutura central do ser humano não é a razão e sim o afeto. E quando partimos desse pressuposto, percebemos que a amizade destaca-se como um dos principais bens necessários a uma boa sociabilidade. Nascendo da confiança mútua, é uma relação de amor e de afeto muito especial, e principalmente um sentimento recíproco, já que é impossível ser amigo de alguém que não seja, por sua vez, nosso amigo.
E sobre o Tempo e a Distância?
Às vezes, na amizade pode ocorrer a descontinuidade temporal-geográfica, ou seja, podemos ficar muito tempo sem encontrar um amigo, mas quando o vemos é como se o tempo não tivesse passado. Um reencontro provoca aquela alegria de outrora. Assim, "uma relação ideal de amigos é uma relação de unidade porque nós podemos não estar reunidos o tempo todo, mas sentimos que estamos unidos por esse sentimento de reciprocidade, um sentimento de unidade, seja pelas afinidades político-ideológicas ou pelas confidências no campo da vida privada."
Epicuro (341-270 a.C.), pensador grego, tinha a seguinte máxima: “de todos os bens que a sabedoria nos ensina e que são necessários para a nossa sobrevivência, a amizade é de longe a maior”. Considerando também que ela se estabelece a partir de uma relação entre iguais, não havendo qualquer tipo de dominação, e, portanto, desequilíbrio, pode-se dizer que a relação entre amigos, baseada em respeito mútuo, se constitui num espaço para o desenvolvimento de valores éticos.
Para a filósofa Maria Lúcia A. Aranha, “talvez não seja muito fácil encontrarmos verdadeiros amigos. Mas, quando os temos, vale a pena cultivar sua amizade, que pode vir a durar a vida inteira.”

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