domingo, 3 de agosto de 2008

A Hora da Estrela



Publicado em 1977, A Hora da Estrela escrita por Clarice Lispector é uma obra flagrante de um personagem tanto numerosa quanto desprezada na sociedade brasileira: a imigrante nordestina em estado de miséria.
Macabéa nasceu no sertão, raquítica, e até um ano nem tinha nome. Ficou órfã aos dois anos e uma tia benta continuou sua criação à base de cascudos. Quando esta morreu, Macabéa foi para o Rio de Janeiro, decisão que tomou sem que soubesse exatamente por quê.
Já no Rio, passou a dividir um quarto perto do cais com mais quatro moças e trabalhar como datilógrafa num pequeno escritório, emprego mantido quase que milagrosamente, uma vez que executava o serviço de forma bastante sofrida, cometendo erros de mecanografia e de ortografia imperdoáveis. Seu salário era miserável, o qual permitia-lhe manter apenas uma dieta de cachorro-quente (um por dia) e Coca-Cola, nada mais. A noite, costumava ficar mastigando pedacinhos de papel, o que ajudava a enganar o terrível vazio que sentia no estômago.
Sua miséria e orfandade, bem como a ausência total de afeto fez dela uma criatura quase nula: "Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham"; "...ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem o melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando. [...] O seu viver é ralo".
O que a salva da indigência é algo que ela traz em si tremeluzindo como uma pequena chama de uma vela: anseios fragmentados e vagos de vida e alegria.
Um dia, num de seus passeios a pé, conheceu Olímpico, por quem se apaixonou.
Olímpico tinha vindo para o Rio após ter cometido um crime de morte no Nordeste. Homem inseguro, é o tipo clássico que se esconde sob uma camada truculenta e de petulância.
Após alguns encontros com Macabéa, Olímpico se apaixona por Glória, uma mulata de cabelos oxigenados e de "traseiro alegre", que tabalhava no mesmo escritório com Macabéa.
Macabéa "procurou continuar como se nada tivesse perdido", já que não se sentia particularmente digna de nada; continuou até mesmo suas relações com Glória.
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"O isolamento social de Macabéa se dá pelo total abandono do sistema ao direito mais importante do cidadão, que é a educação e o acesso à informação. Seu total abandono de tudo é a mais verdadeira realidade do povo brasileiro, que mesmo os que têm acesso à informação muitas vezes não sabem aproveitá-la, porque não possuem “bagagem” cultural para que isso aconteça. Macabéa foi metaforizada por Clarice como a representação da falta de oportunidade, da crítica ao sistema e da passividade pelo qual o brasileiro vive atualmente." (http://carrenho.typepad.com/blogdoseditores/2008/06/clarice-fez-de.html)
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