domingo, 17 de agosto de 2008

Sem preocupação com os outros


De dois anos para cá, cai na real: não sei escrever!... Apesar de ler muito (e aqui estou me referindo mais especificamente ao Direito, pois só comecei a ler outros assuntos, ou melhor voltei a ler outros assuntos, desses dois anos prá cá mesmo) não conseguia nem responder uma prova subjetiva sem ficar com aquela sensação de frustração, de não ter conseguido me fazer entender. Constatava isso, muitas vezes, quando recebia o resultado da prova, e quase sempre lá ía reclamar para o professor, ainda porque queria que soubesse que eu tinha estudado, que sabia a matéria, só não tinha colocado a resposta "igual ou exatamente dentro daquilo que ele esperava". Era sempre irritante, pois muitas vezes o professor mantinha a nota. Não, eu não era o que se poderia chamar de uma chata, pois tinha um jeito todo especial e diplomático para fazer isso. O saco era o ter que fazer isso. E quando não conseguia obter resultado, ficava dois ou três dias reclamando (para os outros e pra mim) até finalmente me resignar com um "Bem feito! Não sabe escrever, tem mais é que pastar mesmo!".
Foi desses dois anos prá cá que também ganhei mais familiaridade com o Direito. Os assuntos são sempre correlatos, e o que se aprende hoje certamente vai ajudar a entender melhor o de amanhã. Poderia até fazer uma analogia com a estrutura de uma árvore (isso não tem nada a ver com a foto aí do lado e que uso para ilustrar algo que sinto e que falarei logo abaixo, ou o que se extrai de tudo isso ) que ao crescer vai ganhando novos ramos (novos conhecimentos), mas esses sempre ligados aos galhos principais (conhecimentos já adquiridos), que por sua vez se ligam ao tronco (a base do Direito). Essa é a razão porque querendo consegue-se fazer dez, onze, doze matérias nos últimos semestres do curso, a gente já tem bagagem, uma boa base, coisa praticamente inviável para quem tá lá entre o seu terceiro e sétimo semestre, período em que constumam entrar matérias processuais. Tem uma outra coisa super legal nisso tudo: apuramos nosso filtro, nossa percepção, e quando são lançados sobretudo pela mídia fatos que estão direta ou indiretamente relacionados ao Direito, e quase tudo é, a gente sabe de cara o rumo que aquilo vai tomar, e/ou naquilo que vai dá no final. Ou pelo menos tem uma idéia. Isso eu não sabia que adquiriria quando comecei a estudar. E talvez por isso a gente tanto se apaixone pelo Direito, ainda que não possa atuar imediatamente na área.
Toda essa viagem para chegar nesse ponto: quando me toquei que não sabia escrever, me expressar, comecei a fazer resumos enquanto estudava, o que ajudou um pouco, é claro, mas ainda assim estava e está muito aquém do ideal. Precisava, então, buscar novas formas, e uma delas, talvez a mais importante, veio quase que naturalmente. Já mais tranqüila com os conhecimentos adquiridos e a facilidade para assimilação dos novos, comecei a me interessar por novas áreas, ou retomar antigos interesses. Comecei a comprar e lê livros, que não de Direito, ou reler os que eu já tinha, esquecidos na estante e, aos poucos, e feliz da vida, descobri que estava precisando mesmo abrir os horizontes, buscar uma formação mais completa, eclética e enriquecedora.
Tem momentos também que paro para pensar tenho o tempo que muitas mulheres casadas e/ou com filhos não dispõe. Por vezes até lamento não ter filhos, por vezes preferiria ser uma mãe dedicada, meio burrinha é verdade, porque sem tempo para uma devida formação, mas feliz da vida com a prole, dentro de suas possibilidades, atendendo primeiramente suas necessidades. Acrescento aqui também sem o menor temor a dedicação ao ser amado (tem homem que realmente merece!). E por ter abdicado, naturalmente ou sem muita escolha, desse forte instinto maternal, me coloco como obrigada a ocupar meu tempo com uma formação apta a angariar um lugar mais digno na sociedade, diferente do que ocupo no momento, exercendo uma profissão mais condigna com a minha capacidade.
Opss! viajei novamente...
Então, voltando...: a vontade de aprender a escrever, seja por necessidade ou prazer, veio naturalmente ao ler um pouco de tudo e de tudo um pouco. Li também pela internet os posts de vários blogues, uns interessantes, outros nem tanto (até hoje ingresso nessa viagem, sempre na gostosa expectativa de encontrar pessoas especiais, que escrevem sobretudo com conteúdo de qualidade...), e daí surgiu a vontade de criar um espaço só meu, esse blog, em que eu pudesse aprender a escrever, ou pelo menos, melhorar minha redação. Afinal, é escrevendo que se aprende a escrever, e afinal cheguei ao ponto que queria: não importa que ninguém o leia, na verdade, prefiro até pensar que só estranhos, e dispensáveis, lêem meus posts.
E por quê?
Porque não suporto a idéia de ter um público "cativo", principalmente pessoas conhecidas que possam ficar na expectativa de conhecer o que estou pensando; porque sei que não conseguiria me dissociar dessa expectativa, e , com certeza, ficaria preocupada escolhendo o que escrever, ou o que não escrever, com o que pudessem pensar de mim, com a imagem que pudesse estar passando, de parecer o que posso não ser, enfim me limitar em tudo e por tudo, comprometendo a aprendizagem e o melhoramento da minha forma de expressão, coisa que a gente só bem consegue se estiver o espírito livre.
E porque não consigo ser como a Chapeira, uma das minhas bloguistas preferidas, e que parece não tá nem aí para quem lê seus posts e o que pensa sobre eles [transcrevo logo abaixo o que ela escreveu outro dia no seu blog - bem, não sei pra quem foi a bronca, mas achei bastante interessante e merecido (ainda que pessoalmente preferiria não dar uma resposta assim tão direta e massacrante, mas isso de fato não importa no momento) ] :

"[a quem interessar possa ]
Vamos lá, mais uma vez... só pra ficar mais claro: ESSE BLOG É MEU! Caso você ainda não tenha percebido, isso é um blog pessoal e nele eu escrevo o que bem entender, sobre o que eu bem entender, do jeito que eu bem entender. Eu não tenho compromisso com nada, muito menos com a ética, com o correto, com o legal. Eu escrevo o que eu quero e lê quem quiser. Se você não gosta do que eu escrevo, é só clicar naquele X alí em cima e ser feliz em outro canto. Simples assim minha gente. Tão simples que só alguém muito babaca pode não entender isso. E só pra esclarecer... democracia aqui não existe messsmo. Os comentários são moderados meeeeesmo, justamente por causa de gente como você, criatura infeliz, que acha que a caixa de comentários do blog dos outros é penico. Quer um conselho? Morra. E tem mais - eu sou a favor da exclusão digital, totalmente. Porque, cara, tem gente que não pode usar a internet. Pela atenção, obrigada :) Chapeira 2:30 PM "

Um comentário:

Tata disse...

Oi, linda!
que coisa boa saber que vc visita meu cantinho.
adorei o seu tb.
é bom ter um espaço pra escrever sem que ninguém tenha nada com isso, ne?
obrigada pela visita!
bjs
pat