segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Melancolia da volta


Agosto chegou, as aulas voltaram.
Já tinha terminado um ciclo de estudos. Poderia até descansar um pouco, mas me sinto tão perdida sem eles. Apesar de tantas vezes enfadonho, o Direito tem sido o meu norte, o único concreto onde piso que parece me sustentar. É meu companheiro de viagem nessa vida muitas vezes sem sentido. Não sei se o levo ou é ele quem me leva. Apenas sei que sem ele cairia nesse abismo escuro e vazio que fica bem aqui ao meu lado, assustador e pronto para consumir minha frágil e triste alma....
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Soneto IV

Conquista pois sozinho o teu futuro
Já que os celestes guias te hão deixado
Sobre uma terra ignota abandonado
Homem - prescrito rei - mendigo escuro!

Se não tens que esperar do Céu (tão puro,
Mas tão cruel!) e o coração magoado
Sentes já de ilusões desenganado,
Das ilusões de antigo amor perjuro,

Ergue-te, então, na majestade estóica
Duma vontade solitária e altiva
Num esforço supremo de alma heróica!

Fere um templo de muros da cadeia
Prendendo a imensidade eterna e viva
No círculo de luz da tua idéia!

(Antero de Quental)


Antero de Quental, um dos maiores poetas portugueses, deflagrou o Realismo em seu país e pode ser comparado a Camões e a Bocage na elaboração de sonetos.
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