terça-feira, 15 de julho de 2008

Felicidade estóica


Estou sentindo uma vontade imensa de voltar a estudar Filosofia, acredito que ela poderia ajudar nessa fase da minha vida e a qual espero não durar muito... O Direito toma praticamente todo o meu tempo. Gosto e preciso dele, mas frustra não poder ir atrás de outras coisas que também me interessam. Mas a vida é assim, exige concessões. E até que estou aproveitando minhas férias. Estou lendo alguns livros, uns de Direito, a maioria não, que comprei ao longo do semestre para quando tivesse mais tempo e também voltei a estudar Italiano, em casa mesmo. Não estou assistindo TV, então não sei o que passa no mundo, talvez de importante mesmo e que mereça atenção, só o caso Dantas, e as declarações de acesso privilegiado de decisões do STJ e STF, o que parece meio absurdo, mas vamos ver...depois. Ah, tem também PMs metralhando o primeiro carro que encontram com características iguais ao do carro dos bandidos em fuga. (Tô pensando em pintar meu carro de rosa fosforescente, ou qualquer outra cor não muito comum). Colocar armas em mãos de pessoas despreparadas é querer esperar o pior.
O mito da caixa de Pandora é muito importante para a compreensão da crítica estóica à esperança, e deve ser considerado como um momento posterior ao conhecido mito de Prometeu.
[ Na história, Prometeu, o mais humanista de todos os deuses gregos, não aceitou a pretensa superioridade dos deuses sobre os homens, e assim, entregou um pouco do fogo divino à humanidade. Desde então, a raça humana passou a exibir uma centelha de inteligência divina, o que irritou muito a Zeus (Afinal, como poderiam os homens exibir a inteligência dos deuses?). Desejando vingar-se, criou uma bela mulher, Pandora, e a enviou ao mundo dos homens portando uma arca ou caixa. Ainda que advertido contra presentes oriundos de Zeus, Epimeteu - irmão de Prometeu - seduzido pelos encantos de Pandora aceitou a caixa como um presente de núpcias.
De acordo com o poeta Hesíodo, Pandora, curiosa, abriu a caixa, e assim, liberou todos os males, calamidades e desgraças que afligem a humanidade (novamente a mulher..., eta mundinho machista!). No fundo da caixa, entretanto restou a esperança. ]
Usualmente interpreta-se esse mito sugerindo-se que a esperança seria uma espécie de compensação, possibilidade de redenção e superação do sofrimento humano. No entanto, uma interpretação estóica sugere ser a esperança apenas mais um dos males da caixa.
Segundo a filosofia estóica, a esperança nos conduz a uma paralisia e uma sujeição a fantasias. Viver em esperança é sujeitar-se à decepções, porque não há como escapar dos infortúnios da vida. No entanto, se é impossível escapar, é possível uma educação filosófica que nos auxilie a lidar com tais revezes. Afinal, sofrer e passar por percalços fazem parte da nossa existência.
Para os estóicos, a vida e seu próprio curso passam por ciclos criativos repetitivos, de alternância entre prazer e sofrimento, felicidade e tristeza. A felicidade estóica é uma ética pautada numa compreensão reflexiva, na meditação que conduz a um estado de impertubalidade, de serenidade e de paciência: virtudes que permitem o exercício do verdadeiro poder, aquele exercido por nós sobre nós mesmos.
Com o exercício da introspecção, passamos a exercer esse poder, que é simplesmente o de saber aceitar que se é impossível controlar tudo. O estado de paz que essa condição gera só é alcançado quando aprendemos a diferença entre as coisas que podemos mudar e aquelas que não podemos, e, assim, deixamos de querer que as coisas sejam do nosso jeito. Para os estóicos, portanto, o poder decorre da humildade, do reconhecimento de nossas limitações e da resignação. E é através dessa consciência que nos abrimos para um novo ciclo, nos preparamos para o novo e abandonamos aquilo que já está perdido. A esperança é então engessadora do ciclo evolucionista da nossa condição humana, que clama por transformação.
É difícil, sem dúvida, mas é um dos caminhos que vou tentar seguir!

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