Adoro internet, principalmente esse espaço que uso como meu diário (quando era adolescente, escrevi vários na forma tradicional, via agenda, caderninho cheio de coisinhas doces e fofas pregadas ao longo das páginas que refletiam, acompanhavam o que sentia em cada momento em que escrevia - e não deixava ninguém ler!). Acredito que tanto aqueles que escrevi como esse eletrônico contribuiram e contribuem para que eu me conheça mais, prestando mais atenção às minhas sensações e percepções do mundo que me cercam, e principalmente das pessoas que amo. Acho que tento seguir, mais ou menos, na contramão da cultura do superficial estabelecida pela correria que levamos em nossas vidas nos dias de hoje. Tudo é muito rápido! E a mídia contribui ainda mais com essa sensação ao nos bombardear o tempo todo com informações do novo, de que o de ontem não serve mais, está obsoleto, já foi superado. E a gente nem aproveitou bem o chamado "obsoleto" , não aprendeu para que serve cada um daqueles recursos, quando muito só algumas noções.
E isso também é na vida pessoal, nos relacionamentos; não temos tempo para conhecer melhor o homem que amamos, e a sensação de urgência o tempo todo nos domina e nos leva a não tomar o devido cuidado com muitas coisas importantes, v.g. , se permitir transar quase que nos primeiros encontros, sem nem conhecermos bem o cara. E é assim, porque sentimos que a relação é pobre, mas enriquecer uma relação demanda tempo e esforço. Como inconscientemente queremos/precisamos queimar etapas (e quanto maior a imaturidade mais cometemos esses erros), acabamos nos precipitando na entrega da nossa intimidade física. O relacionamento sexual , então, seria uma forma de vencer várias estapas ao se criar uma intimidade precoce, que cá prá nós pode ser um "alicerce emocional" para a mulher, mas para o homem significa pouca coisa, ou nada. Na verdade, significa apenas que vc "dá fácil" e se é assim eles interpretam que é para qualquer um. Os homens sentem necessidade de serem vistos pela amada como são realmente, um ser único, e reconhecer neles alguém especial, sabendo que precisamos de tempo para conhecê-los melhor, suas virtudes e defeitos...
[E essa de dizer que homem é tudo igual é um absurdo...não, eles não são iguais, graças a Deus!]
[Atualmente meu amor pelo Marcelo é platônico, e embora o conheça um pouco mais do que ele imagina, tenho certeza de que se fosse para rolar alguma coisa, tipo a gente transar logo de cara -e isso seria uma grande tentação, já que o tesão é muito grande! - ele interpretaria também da mesma forma: que sou uma pessoa fácil, ou carente, que "não estou fazendo amor com ele", e sim "comigo mesma".
E é essa a lógica (que também serve para nós..., porque afinal, como não ficar assustada e desconfiada daquele cara que vai logo se declarando, deslumbrado, quase forçando a barra, sem dar tempo para que possamos sentir o mesmo?).
Querer reverter isso, e por mais que seja digamos "boa de cama", é querer nadar contra a maré, perder a nossa paz, nosso equilíbrio emocional e ficar um bocado de tempo com baixa estima...
Antes de irmos para a cama de alguém, e se esse alguém é realmente importante para nós, precisamos antes saber se estamos em seu coração.]
Bem, mudando de assunto, apesar desse espaço valioso de auto-conhecimento, sinto um certo desconforto ao constatar que sou pouco comunicativa:
# sobretudo no meu meio social - sou do tipo que mais escuta do que fala e às vezes a galera aproveita e abusa, afinal não é tão fácil assim encontrar pessoas dispostas a ouvirem o que elas tem para falar.
por um tempo até justificava essa "deficiência mascarada como uma opção de vida" (dava até um ar de intelectualidade, veja só!), e negava o problema, quando repetia para muitos e para mim mesma que era preferível ficar calada ou falar pouco do que falar o tempo todo só besteira (e gente assim, que fala demais, mas diz pouco, eu conheço um tantão assim!)
[Mesmo quando reagimos mais por educação dando aquele feedback - que pode até ser ruinzinho mesmo (não importa!) , porque ainda assim alimentamos seus egos sedentos de atenção - o que temos de volta nem sempre compensa e a sensação de perda de tempo é enorme. Parece que vc doou parte do seu tempo, tão escasso, e não obteve nada de volta; às vezes nem aquela sensação de satisfação gerada pela solidariedade nos consola].
Conheço também um tantão assim de pessoas que como eu (fala pouco, e nem sempre tem a sorte de não ter que ouvir tanta besteira dos que falam muito) convivem diariamente com esse problema. E, talvez por isso, acabamos nos isolando um pouco, buscando um pouco de solidão, que é quase uma fuga desesperada em busca de um espaço só nosso, aquele que permita que sejamos só nós mesmos, crus e sem artifícios, sem preocupações com o desempenho do nosso papel social, ou nosso ser social (com reflexões e carregados de distorções, que incomodam e acabam nos levando a ficar muitas vezes no "piloto automático").
Por isso, acho, é muito importante o nosso lar! Nele podemos desfrutar do tão necessitado silêncio, sem tv ligada, nenhuma música, apenas o convívio de nossos bichinhos de estimação... Tem também o prazer da companhia da pessoa amada, mas essa já é outra história, outra diferente dimensão.
A sensação de liberdade é enorme e a paz é imensa!
Também um espaço só meu, como esse "diário eletrônico" também é muito importante. Nele eu viajo ao centro do meu ser e reconheço as verdadeiras periferias e veredas que fazem parte da estrutura espiritual que forma minha pessoa, em simplicidade e complexidade, humildade e orgulho do que sou, da imensa fraqueza e tantas vezes da força que eu nem sabia existir...

Nenhum comentário:
Postar um comentário